quinta-feira, 9 de abril de 2009

Levando os públicos de interesse às alturas


E se um dia você receber um briefing pedindo um jantar diferenciado para o público formador de opinião que gere impacto, buzz e PR? O que você faz? Corre da agência fingindo uma faringite aguda e empurra o projeto de volta para o atendimento? Fica desesperado procurando alguma maneira de juntar tudo isso em um único evento?

Então conheça o projeto "Dinner in the Sky", um evento único feito para quem deseja transformar um jantar comum em um momento cheio de experiências e que ficará marcado na memória de seus convidados.

Uma mesa suspensa a 50 metros de altura e com capacidade para 22 pessoas ficarem lá em cima por até 8 horas. Lá de cima, além do jantar com uma vista inesquecível, podem existir diversas atrações por conta do "patrocinador".

O evento já aconteceu em diversos países adotado pelas mais diversas empresas. São degustações, demonstrações de produto, ou simplesmente um motivo a mais para gerar relacionamento com o consumidor.

Um dos países indicados no site é o Brasil, mas não encontrei quem ou quando será realizado o evento aqui no Brasil

Roubei as fotos do excelente blog O que inspira?. O blog da agência Abelha Rainha, que anda fazendo projetos inspiradores lá no interiorrrr de SP.

Seção Nostalgia



Mais do mesmo outra vez.
imagem do acervo digital da Veja.

quarta-feira, 8 de abril de 2009

Nosso jurado em Cannes



Esse sim, é o cara

Lendo o post abaixo, do Marinho, me lembrei deste texto sobre a arte de engolir sapos, que circula pela web e foi atribuído a Sam Walton, fundador do Wal-Mart

Eu sou o homem que vai a um restaurante, senta-se à mesa e pacientemente espera, enquanto o garçom faz tudo, menos o meu pedido.
Eu sou o homem que vai a uma loja e espera calado, enquanto os vendedores terminam suas conversas particulares.
Eu sou o homem que entra num posto de gasolina e nunca toca a buzina, mas espera pacientemente que o empregado termine a leitura do seu jornal.
Eu sou o homem que explica sua desesperada e imediata necessidade de uma peça, mas não reclama quando a recebe após três semanas somente.
Eu sou o homem que, quando entra num estabelecimento comercial, parece estar pedindo um favor, ansiando por um sorriso ou esperando apenas ser notado.
Eu sou o homem que entra num banco e aguarda tranqüilamente que as recepcionistas e os caixas terminem de conversar com seus amigos, e espera pacientemente enquanto os funcionários trocam idéias entre si ou, simplesmente abaixam a cabeça e fingem não me ver.

Você deve estar pensando que sou uma pessoa quieta, paciente, do tipo que nunca cria problemas. Engana-se. Sabe quem eu sou?

"Eu sou o cliente que nunca mais volta"!

terça-feira, 7 de abril de 2009

A arte da batraquiofagia



A batraquiofagia, traço estrutural nos batraquívoros e conjuntural em outras espécies, trata da arte de engolir sapos.

Quando inata, não merece maiores comentários, pois os batraquiófagos já desenvolveram um sistema muito eficaz de digestão que os previne das reações mais incômodas como brio, humilhação e vergonha na cara. O batraquívoro deglute anuros como quem come alface e chuchu, embora haja os que, por um capricho masoquista, até vejam nesse repasto uma iguaria.


Engolir sapos, sem ser um batraquívoro nato, requer o desenvolvimento de algumas habilidades.

O problema da batraquiofagia entre os não invertebrados é de saúde. Sapos são indigestos. Pior: costumam vir acompanhados de cobras e lagartos, o que, convenhamos, forma uma fauna impossível de se degustar.
Mas ninguém poderá falar desses bichos não comerei. Viver em sociedade é, no fundo, um grande exercício de engolição de batráquios. Dá-se aqui uma inversão da cadeia alimentar: quanto mais perto da base da pirâmide, mais sapos se engolem.

O funcionário público atrás do guichê da repartição, de quem você precisa de um maldito carimbo, não lhe atende, olha você com desprezo e continua conversando com o colega ao lado. Você tem vontade de mandá-lo de volta aos braços de sua airosa mamãe, mas se cala porque depende de seu gesto de má vontade. Bingo! Você acaba de engolir um sapo-boi.


Tire o funcionário público do exemplo acima e coloque um médico no pronto-socorro do SUS; um escrivão na delegacia onde você foi registrar queixa de um sequestro-relâmpago (que para você durou uma eternidade); o chefe do emprego do qual você depende; o cliente bronco; o aluno arrogante da escola de classe média alta; as autoridades em geral; o motorista de caminhão de metro e oitenta de altura e largura que bateu no seu carro; a estagiária sobrinha do presidente da empresa; o diretor de criação; o diretor de atendimento. Todos eles e muito mais são contumazes fornecedores de anuros de tudo quanto é jeito e tamanho, os quais raras vezes conseguimos vomitar.


Geralmente, a engolição cotidiana de sapos transforma as pessoas normais em batraquívoros e aí o problema de digestão deixa de existir. Para os que não se habituam com tal dieta, restam alguns comportamentos sais de frutas.


Sublimar a humilhação urdindo planos de vingança que jamais serão executados é um deles. Outro é ascender ao topo da pirâmide bafejado pela fortuna: ganhando na megassena acumulada, por exemplo. Ter algum tipo de fé também ajuda, principalmente em religiões que veem o sofrimento como uma forma de aprimoramento espiritual.

Engolir sapos faz mal ao fígado. É essencial que não se percam a humanidade, a ternura e o paladar, pois, entre um sapo e outro, haveremos de aproveitar os biscoitos finos que a vida também oferece.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Promoção Eleitoral

Mais um exemplo nefasto do uso da promoção.



Preste muita atenção ao regulamento e veja o tamanho do absurdo.

Cansados de guerra


Casa-carro-dinheiro, a trindade nada santa da promoção de vendas segue homogeneizando as campanhas, não importa a marca nem a categoria.
Os torpedos e as inscrições via web rapidamente vão substituindo as cartas como meio de participação.

Soube de uma campanha exatamente com esse perfil que teve uma expressiva participação, mas, feitas as contas, o sucesso não se refletiu em mais vendas. Suspeita-se de que os participantes da promoção eram os já habituais consumidores da marca. Contrariou-se assim o primeiro mandamento das promoções de venda: “Não farás promoção para teu público fiel”.

Já desenvolvi muitas campanhas com esse perfil e, desconfio, vou fazer outras tantas. Porém, em momento de reflexão e autocrítica, me pergunto: não estará esgotado (ou esgotando-se) o modelo de fazer dos produtos em promoção bilhetes de sweepstake?

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Promo Jobs

A MIX Brand Experience está ampliando sua equipe de planejadores.
Você tem o que é necessário para ficar com a vaga?

Palavras de Aldo Pini, diretor de planejamento da agência:

"Minha equipe está crescendo, e para continuar neste gás total procuro...

Planners com experiência.
Perfil moderno, curioso e antenado.

Especialistas em eventos, promo e ativação.
E que tenha conhecimento em guerrilha, mobile, internet e interesse em brand content.

Os interessados devem enviar um e-mail para apini@mixbe.com.br"

Seja mãe por um momento

Muitas vezes recebemos briefings nas agências com objetivo de gerar buzz, impacto com um mínimo de investimento da marca. A agência Taivas Helsinki da Finlândia recebeu esse mesmo briefing da Unicef: Aumentar o awareness sobre os direitos das crianças e aumentar a arrecadação de doações, com um mínimo de investimento.

Queriam também passar a mensagem de que, hoje em dia, existem mais de 145 milhões de crianças órfãs e abandonadas pelo mundo. Ajudando a Unicef, qualquer pessoa pode ser uma mãe para eles, mesmo que por um momento.

Solução: Impacto + Buzz.

(clique na imagem para ampliar)

Espalharam por 14 cidades do país carrinhos de bebês equipadas com som que simulavam o choro de um bebê. Ao se aproximarem, dentro do carrinho tinha uma mensagem: "Obrigado por se importar. Esperamos que existam mais pessoas como você. UNICEF Seja mãe por um momento".

A reação do público foi imediata. Rádio, TV e internet cobriram a ação. O case conta que em estimativas, as notícias atingiram 80% dos finlandeses. Simples e eficiente!

Vi a ação aqui.

A linguagem de cada um

Você é uma criança autista em Bangkok.
Em seu primeiro dia na escola você se assusta e sobe no parapeito da sacada do 3º andar.
Seus professores tentam resgatá-lo, mas sem sucesso.
Sua mãe aciona o corpo de bombeiros, e durante a ligação menciona que você é fã de super-heróis.
Pouco tempo depois, o Homem Aranha aparece e rouba a cena.
"O Homem Aranha está aqui para salvá-lo! Nenhum monstro poderá atacá-lo agora. Venha andando devagar em minha direção e tudo ficará bem".
Pronto. Agora você não corre mais perigo.



Essa é uma história real. E ela deveria ser uma lição importante para um planejador.
Se as pessoas que você pretende envolver só dão ouvidos ao Homem Aranha,
encarregue o próprio de passar sua mensagem.
Você está falando a mesma língua de seu público?
Caso não esteja, esforce-se para conhecê-la bem.
Mas não sejamos rasos.
A tarefa não é tão simples como "jovens falam 'irado'; caipiras falam 'uai'".
Pessoas são complexas.
Sua busca pelo conhecimento também deve ser.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

Quanto vale o Show?



O
mercado publicitário parece um jogo de sinuca, estamos sempre correndo atrás da bola da vez. Realidade aumentada, navegação por webcam, jogos online. É tudo muito legal, mas até onde o resultado fica só no "Vc viu aquilo que foda?".

Acho importante esse "breakthroughs" interativos e criativos, mas acho mais importante saber onde eles levam o consumidor. Os 15 kbs de fama das campanhas online são interessantes, geram buzz, colocam a marca naquele cantinho do cérebro do consumidor chamado "COOL", mas pecam pela vaidade. Vaidade de achar que só porque a interação foi bacana, o cara já comprou a marca. O "pulo do gato" aí é utilizar essas ferramentas como realmente ferramentas. Um meio para um fim e não somente um fim. Fazer com que elas sejam legais sim, mas com um objetivo claro e definido, sabendo mensurar o que vem depois do "UAU", sabendo entender o caminho que o consumidor faz depois que aquilo perdeu a graça e entrou p/ a lista do "nossa aquilo era bem legal mesmo, ñ era? Mas.... que produto era aquele mesmo?".

Acredito que o que falta nessas campanhas é o que sobra nos filmes da Pixar: emoção. Não estou comparando um flash com o trabalho espetacular dos caras, isso seria praticamente uma heresia, estou falando que existe espaço para imprimir a marca no subconsciente do bicho sentado a frente da tela, com a tinta da emoção. Experiência e recompensa (Pavlov já sacou isso no início do século XX). O negócio é dar emoção para o cara, envolvê-lo de forma a experimentar o produto que sempre tem uma lâmina de plástico entre ele e o alvo, experimentar o sensorial humano, trabalhar com sabores, cheiros, além dos sentidos já naturalmente abordados. Estamos tão viciados em procurar a "nova melhor coisa que já passou" que não pensamos que somos muitas vezes regidos pelas emoções e são elas no final das contas que levam as proverbiais mãos às proverbiais carteiras.

Seção Nostalgia



Essa é de 1983.
Crie uma frase
Mande 5 embalagens
Ganhe o objeto de desejo do momento.
Uma espécie de concurso cultural atrelado à compra, pois, exigia as embalagens mas o critério de escolha era "cultural".
Exceto por esse detalhe, 26 anos depois, ainda fazemos promoções exatamente como esta.

terça-feira, 31 de março de 2009

Traje obrigatório: branco

Não vou perder tempo falando do Skol Sensation.
É uma festa com DJ's etc e tal.
Um diferencial da festa é que as pessoas tem que ir de branco.
Pensando que nem todo mundo tem um guarda-roupa de médico e vai acabar comprando uma peça branca a mais, fizeram uma parceria com grifes bacaninhas para o evento.
A roupa divulga a festa que divulga a roupa que divulga a festa.
Simples e genial.



copiei daqui http://invertido.com.br/ (tem mais fotos lá) com dica da @rebokel

Três mulheres para cada homem



Todo heterossexual do sexo masculino (hoje em dia precisamos ser beeeem específicos) sempre deseja que a sua balada tenha 3 ingredientes principais: Boa música, bebida gelada e muita mulher bonita. Para alguns inclusive, basta o último quesito para fazer daquela uma boa balada.

A Prestobarba que não é boba nem nada e trabalha com o mercado de higiene e beleza focado no público masculino, criou uma ação muito bacana focada na web. Criou o site Prestonight, um fórum de discussão sobre as diversas baladas do país. Muito diferente dos sites de cobertura ou portais como Oba Oba e Guia SP, o fórum é produzido pelos participantes (homens e também mulheres) que postam comentários, fotos, vídeos e dizem para outros participantes qual o estilo da balada, quanto custa, se tem gente bonita, que dia que pega, etc...


Para incentivar o pessoal, ainda rola uma promoção. Eles criaram um ranking para ver quais são as pessoas que mais criam conteúdo para o site. A cada 15 dias, o cara que mais contribuiu curte uma balada Prestonight (uma balada com 3 mulheres para cada homem) com tudo na faixa e cobertura da MTV. E, no final, o 1º do ranking geral ganha 6 dias de IBIZA, com mais 2 acompanhantes.

Um jeito interessante de se apropriar de um conceito, criar uma ferramenta muito bacana para quem tem milhares de opções de balada (como nós paulistanos) e não sabemos de verdade se vale a pena atravessar a cidade para chegar lá. Porque a promoção vai acabar, mas se der certo e o público aderir, vira uma ferramenta de relacionamento com o target e também um benefício para o internauta.

A ação é da New Style.

sábado, 28 de março de 2009

sexta-feira, 27 de março de 2009

Jurado de Promo em Cannes



Festivais sempre geram polêmicas, principalmente nos resultados.
Mas esse ano, Cannes saiu na frente antes mesmo do festival começar, com a escolha do jurado brasileiro da categoria Promo.
Uma categoria que chama menos atenção, que tem está entrando no seu 4º ano no festival, mas que no ano passado trouxe 3 bronzes com iPod no Palito da Bullet e instituto Akatu da Fabra Qinteiro

Em 2006, o jurado brasileiro foi o grande Geraldo Rocha Azevedo, um dos pioneiros da Promoção Brasileira. Em 2007, ele mesmo presidiu o júri. Em 2008, Mentor Muniz Neto, da Bullet representou o pais no júri. Dois nomes incontestáveis. Dois caras que conhecem muito do nosso mundo BTL, que entendem a promoção e sua função dentro da comunicação, e principalmente o processo criativo da nossa atividade

Para 2009 o escolhido foi Marciano Heidrich Neto. Ou como ele mesmo prefere ser chamado, Marcelo Heidrich, da Ponto de Criação. Sem dúvida um grande empresário do nosso setor, mas, na minha opinião um cara que por sua posição está muito longe da criação. Um homem de negócios, um empresário com uma visão ampla sobre o mercado promocional que na sua atuação dentro da agencia não está diretamente envolvido com o cotidiano da criação. Por isso talvez lhe falte a veia criativa, a sensibilidade de perceber as sutilezas do processo criativo que valorizam uma peça ou uma campanha.

É por isso que o Ron Dennis é dono da equipe e o Hamilton pilota.

Reparem que na lista dos jurados brasileiros, somente o de Promo não é uma pessoa da criação.

Film Lions - Sophie Schoenburg (redatora da AlmapBBDO)
Press Lions - Leo Macias (diretor de criação da Talent)
Outdoor Lions - Alexandre Peralta (sócio e diretor de criação da PeraltaStrawberryFrog)
Cyber Lions - Eco Moliterno (VP de criação da Wunderman)
Radio Lions - André Faria (diretor de criação da F/Nazca)
Direct Lions - Rui Piranda (diretor de criação da Giovanni DraftFCB)
Design Lions - Luciano Deos (sócio e diretor de criação do GAD Branding & Design)
Promo Lions - Marcelo Heidrich (presidente da Ponto de Criação)
Media Lions - Gleidys Salvanha (diretora de mídia da W/)
PR Lions - João Rodarte (diretor da CDN)

Por ser uma categoria nova talvez ainda estejamos em fase de ajustes, mas acho que quanto mais próximo da criação o jurado, mais condições de entender e julgar corretamente.

E você, concorda com a indicação?
Quem você indicaria no lugar de Marciano Heidrich Neto?

quinta-feira, 26 de março de 2009

É tempo de mudanças



O Blog mudou de cara, mudou de colaboradores... Mas também outras coisas mudaram que merecem ser comentadas.

Quarta-feira, dia 24 de março, aconteceu a assembléia para a votação e posse do novo presidente do Grupo de Planejamento no biênio 2009-2010. Eu, particularmente, gostei muito da eleição de Ulisses Zamboni, de toda diretoria executiva e conselho administrativo.

Dos eventos que participei do GP e que tiveram a participação do Uli foram muito positivos, principalmente aqueles em que foi debatida não só o papel do planejamento, mas também suas diferentes formas de atuação nos diversos tipos de agências (propaganda, online, promo, mkt direto, etc). Foi o único cara que eu vi, que soube enxergar e verbalizar que sim, existe diferença entre os profissionais, cada um com seus problemas e questionamentos particulares. O próprio Gustavo já escreveu aqui um texto resultado de um evento que fomos juntos (particularmente, meu texto preferido do Promo Planners).

O GP cresceu nesses dois últimos anos e graças a gestão anterior liderada pelo Ken Fujioka. Não tenho críticas sobre como ele conduziu o grupo, muito pelo contrário! Foi muito bom ver o crescimento de nossa profissão e ver também como o Planejamento ficou em evidência na mídia, nas faculdades e nas agências. Mas não cresceu somente com profissionais de propaganda. Cresceu graças ao interesse de todos esses planejadores e estudantes que viram através do GP um espaço para discutir tendências, conhecer pessoas no mercado e aprender mais sobre o que é essa tão nova profissão.

Por outro lado, o GP sempre teve o apoio e a colaboração de planejamentos de propaganda. Não vejo adesão e participação na gestão de pessoas de outras áreas. Mesmo acompanhando o blog, os eventos do grupo, eu mesmo nunca me associei.

No "post de posse" do Uli ele diz: "Um assunto que certamente vamos colocar em pauta em muitas discussões é o do papel do planejador. A função tem sido moldada pelo mercado de forma caótica, gerando distorções e interpretações livres. Vamos tentar entender e orientar um pouco sobre esse assunto. Além disso, vamos falar dos planejadores digitais, de 'promoção' e até de channel planning, vulgo mídia. Tenho tido “chamados” sobre o assunto há algum tempo."

Finalmente! Depois dos comentários não só meus, mas dos planejadores das demais áreas ao Ken e a outras pessoas do GP, esse assunto já surge em pauta logo na posse de um novo presidente. Isso, para mim, é animador!

Agora é a nossa vez de não ficarmos somente como mero espectadores dos eventos e ajudarmos nessa nova gestão que não só tem o objetivo de crescer, mas de atender a anseios específicos de cada "tipo" de planejamento.

Uli e GP, fica aqui registrado o meu apoio para ajudar, da maneira que vocês precisarem, a gerar essa discussão e iniciar um novo passo na evolução desse grupo de planejadores. Mês que vem já estarei como associado do GP. E tenho dito!

Voltamos



Demorou, mas voltamos.
De lay-out novo, mais simples e mais limpo.
Com novos Planners e sem o compromisso de atualizar todo dia, toda hora ou com qualquer frequência que seja.
Sempre que aparecer algo interessante postaremos.
Os novos integrantes são o Matheus Flandoli da B/Ferraz, jovem planner mas com muita experiência e o Gustavo Guimarães, da Ci&T CreativeLab, o Guima. Um cara “de internet” manja?
O blog anda meio enferrujado, por isso, esses primeiros dias são de faxina, organização e testes.
Sugestões são sempre bem vindas no e-mail ao lado.

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Fechado para reforma


Este blog vai ficar fora do ar, possivelmente até o final de janeiro, para que possa ser reformulado, inclusive com a participação de um maior número de colaboradores.

Desde já adiantamos que a crise sistêmica do setor financeiro internacional, bem como a emissão de carbono e os atentados terroristas na Índia nada têm a ver com essa decisão.

Até mais...

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Eu, robô?

Parafraseando William Shakespeare, posso dizer que há mais mistérios entre o consciente e o inconsciente do que sonha nossa vã psicologia.

O dr. Drauzio Varella, no artigo “A intuição da minha avó” (Folha Ilustrada de 22 de novembro), chama nossa atenção para o fato de temos na mente mecanismos adaptativos inconscientes que nos permitem tomar decisões rápidas, enquanto nosso cérebro está entretido no exercício de funções mais nobres. De uma forma menos científica, isso significa que parte de nossa mente opera em modo automático, ou seja, age sem pensar, de bate pronto. Não há nada de errado nisso. Não fosse assim, não executaríamos o sem-número de atividades para as quais não há tempo para raciocinar.

Ocorre que esse nosso eu automático não se limita às atividades reflexas (dirigir um carro, desviar-se de algo que vem súbito em nossa direção). Ele age também em outras esferas de decisões, de modo que, em certa medida, podemos ser estranhos a nós mesmos.

Continuando com a explicação do dr. Drauzio: Na verdade, somos inconscientes de nossa própria inconsciência. Por isso, quando convidados a explicar nossas reações, quase nunca respondemos: "Não tenho a menor idéia". Ao contrário, vamos atrás de argumentos que façam sentido para justificá-las.

Contrariando a psicologia clássica, que afirma que tomamos decisões a partir do processamento de informações objetivas, elas (as decisões) podem ocorrer também a partir de associações mentais automáticas, aquelas que nos vêm à mente de forma “espontânea”, sem nosso controle racional.

As associações mentais automáticas teriam, portanto, a capacidade de distorcer (ou dar uma leitura própria) às informações objetivas como forma de justificar logicamente uma decisão tomada a priori, com base em critérios inconscientes.

Entender e identificar esses processos mentais automáticos é o desafio da nova psicologia e algo que poderá vir a ser muito útil para o planejamento do marketing, livrando-nos da estreiteza das ponderações objetivas das pesquisas quanti e quali, que são o cemitério do novo.

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Consciência branca


As datas redondas, as efemérides, a rigor, não servem para nada a não ser lançar foco sobre as coisas que deixamos escapar no dia-a-dia. O tempo, por exemplo, em seu galope de segundos. Só nos damos conta de sua passagem no fechamento de ciclos como aniversários, virada de ano, décadas e por aí vai.

Assim é (ou deveria ser) com o dia 20 de novembro, que, por decreto, virou o Dia da Consciência Negra, com status de ponto facultativo nos municípios.

Ajustei minhas lentes para a candente questão racial no Brasil e o que vejo? Trabalho num setor, esse o da comunicação do marketing (promoção, propaganda, design), absolutamente branco.


Em 30 anos de profissão, conheci dois diretores de arte e duas diretoras de atendimento negros. Mesmo considerando que o apartheid não seja racial, mas social, como acontece na educação superior, esse é um dado que mereceria, no mínimo, uma reflexão.


Ou admitimos que os negros geneticamente são incapazes de planejar, desenvolver estratégias e criar soluções de comunicação e nos alinhamos com o que de mais lamentável as civilizações produziram até hoje, ou admitimos que algum tipo de discriminação, mesmo que não premeditada ou consciente, ocorre.


Costumo dizer que a escravidão é o nosso holocausto. Nos envergonhamos tanto dela que simplesmente a ignoramos em toda a sua extensão e tragédia. Foram três séculos de ignomínia (alguém já se deu conta do que significam 300 anos na cultura de uma civilização?). Durante boa parte desse período, negros, assim como índios, eram considerados seres “sem alma”, como os animais. E isso, por si só, formou um conceito de não-humanidade a partir do qual se estabeleceu toda uma relação de hierarquia antropológica que colocou, a nós brancos, ao menos um degrau acima dos outrora desalmados.


A vergonha que nos leva a não enfrentar de vez essa questão é tamanha que, até hoje, não tenho conhecimento de obra literária que enfoque a questão do negro sem mostrar, em paralelo, os movimentos abolicionistas. A impressão que fica é de que a escravidão foi uma coisa de brancos maus. Em absoluto. A escravidão foi, durante muito tempo, algo social e culturalmente aceito como normal até mesmo pelos negros. Esse, outro tabu, pois a mesma literatura que procura minimizar a gravidade da escravidão como um desvio de conduta de uma civilização, forja uma consciência de liberdade, entre os negros, como se todos os escravos tivessem sido discípulos de Zumbi.


Os movimentos abolicionistas surgem e ganham força quando a escravidão já está em seus estertores, caindo de podre. Da mesma forma, os quilombos jamais constituíram a base de um “movimento nacional pela libertação dos negros”.


No auge da escravidão, a população negra chegou a ser superior à branca, motivando até uma pioneira campanha de eugenia na qual Portugal passou a exportar mulheres brancas para evitar o enegrecimento da raça. Ou seja, dificilmente uma revolta conseguiria ser controlada, como aconteceu em alguns países do Caribe nos quais a liberdade foi conquistada não pela pena de uma princesa, mas no braço.


Na época esplendorosa da exploração do ouro em Minas Gerais, 23% dos donos de escravos eram negros que compraram sua alforria. Negros maus, então? Não os vejo assim, mas como indivíduos que, com a aquisição da liberdade, tornavam-se cidadãos e, de brinde, ganhavam seus valores.

A ausência de negros em nossa profissão, portanto, se insere num contexto muito mais amplo e complexo, no qual não cabe nenhuma solução moral, à la estabelecimento de cotas, ou mesmo econômica, de promoção social.


P.S. – Terminado este post fui a um churrasco na casa de um amigo, por conta do feriado. Sua empregada, negra, nos servia: não folgou no Dia das Consciência Negra.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A lição de João Cabral



Antonio Cícero, em artigo para a Folha de São Paulo (Ilustrada de 15 de novembro de 2008), observou que “João Cabral de Melo Neto costumava dividir os poetas em dois grupos. O primeiro é o daqueles para quem tudo o que não é espontâneo -logo, tudo o que dá trabalho, tudo o que é difícil- é falso. O segundo, no qual ele mesmo se colocava, é o daqueles para quem tudo o que é espontâneo - logo, tudo o que dispensa o trabalho, tudo o que é fácil - é falso. Para ele, “o fácil e espontâneo jamais passava de eco ou repetição inconsciente de vozes alheias”.


Ótimo, mas o que isso tem a ver com o planejamento promocional? Muita coisa, se substituirmos as palavras do poema por idéias.

Obviamente o planejar uma ação promocional está a anos-luz da ourivesaria literária que é a composição de um poema, mas o processo de criação não fica tão distante, principalmente se considerarmos a criação poética como arte e não como dizia João Cabral dos versos inspirados, ou seja, sem elaboração racional: “Todo o mundo acha de descrever a dor de corno dele como se fosse um poema”.


No planejamento promocional também só conseguimos chegar a resultados originais quando, através da lapidação cuidadosa das idéias, superamos a reprodução pura e simples do “eco ou repetição inconsciente de vozes alheias”.
Parodiando Carlos Drummond de Andrade, podemos dizer: Lutar com idéias/ É a luta mais vã. / Entanto lutamos / Mal rompe a manhã.

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Alarmante


Até expor um carro no momento de seu lançamento pode gerar idéias originais e de produção simples. Esse é o caso de uma ação de exposição de um SUV da Nissan que promete ser o veículo ideal para quem gosta de aventuras, mesmo que no travado trânsito urbano.

O carro foi exposto dentro de uma caixa simulando as de emergência para alarme de incêndio com o aviso "Quebre o vidro em caso de aventura". Não tinha como não ser notado e associado a seu conceito.

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Ingredientes manjados, prato original

Não sei se a estratégia é original, mas a idéia da Energy, o braço (e a cabeça) promocional da Young & Rubican, merece registro e análise: um seriado na web a serviço de mais de uma marca, no caso, três: LG, Nova Schin e Colgate.

As marcas co-patrocinam uma ação promocional chamada “Control C, Control V”, que consiste em gerar conteúdo para uma mini websérie a partir de diálogos no MSN. A participação é feita mediante o envio de um diálogo feito pelo MSN (copiando-o do MSN e colando no site da ação, daí o nome “Control C, Control V”). Os diálogos mais “pertinentes”, segundo a produção da ação, são dramatizados e exibidos como episódio de uma websérie.

No fundo, é mais uma ação na qual o conteúdo é gerado pelo próprio target. Mas água com farinha de trigo são matérias-primas tanto para o pãozinho francês nosso de cada dia quanto para massas e os croissants mais sofisticados. O segredo não é tanto com o que, mas como se faz.

O fato de ser multimarcas não só viabiliza a produção como amplia o leque de públicos a se envolver com a ação.

Vale conferir o site aqui e ver o primeiro episódio. Tão ou mais interessante que o webvídeo é a transcrição do diálogo no mais puro dialeto paulistês para webmano.

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Nós, os negros

A vitória de Obama tem suscitado analogias germinadas nessa nossa humana teimosia em cultivar a esperança por mais prolongada que seja a estiagem.

Fernando Gabeira, candidato vitoriosamente derrotado nas eleições para a prefeitura do Rio, observou: “Estou convencido de que a análise política de Obama foi um fator decisivo. Ele concluiu que um tempo estava se acabando, que as querelas dos anos 60 chegavam ao esgotamento. Viu o país dividido entre republicanos e democratas, assim como outros pequenos impasses que o debate nacional estimulava. Resolveu construir pontes. Essa decisão, para mim, foi sábia. De que adiantam debates estéreis, em que se volta para casa com uma sensação de superioridade moral, mas nenhum avanço prático?”.


Querelas, debates estéreis, superioridade moral. Essas expressões iluminaram alguns nichos nessa mina escura e funda que é minha cabeça.


A querela é a já antiga que nos segrega ao gueto do BTL. Somos os negros no mundo branco da comunicação do marketing. Embora toda uma novíssima geração tenha assumido o marketing promocional e o mercado de agências se desenvolvido muito, o apartheid continua. Assim como as querelas dos anos 60 citadas por Gabeira, a nossa também já chegou a um ponto de esgotamento e precisamos mudar o enfoque do enfrentamento para, como Obama, lançarmos as pontes que efetivamente viabilizarão a comunicação plena que ainda apenas ensaiamos.


Os debates estéreis ficam por conta da briga pela primazia da idéia, do peso de cada parte na construção da solução de comunicação, da relação job x cliente, da justiça da remuneração e muitas outras picuinhas, incluindo posts como este.


Esgrimir com argumentos, defender posições, ganhar a discussão com a rapidez e a consistência do raciocínio nos faz ter razão e com isso nos sentimos moralmente superiores. Mas a quê?


O discurso de Martin Luther King, "I have a dream", é uma bela peça de retórica que tem e terá para sempre seu lugar na história, mas o mundo virou uma página e com ela, tudo indica, concluiu mais um capítulo. É tempo de seguirmos o exemplo e sermos contemporâneos.

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Há bens que vêm para o mal

Vestígio da história da propaganda, deve haver ainda em algumas agências aquelas enormes pastas de couro, made in Omar, usadas para levar layouts. Eram tão imensas que baixinhos como eu tinham que carregá-las, de forma cansativa e dolorosa, com o braço flexionado para que não esbarrassem no chão. E por que tão grandes? Para poderem portar os layouts em tamanho natural (cartazes, páginas duplas de jornal) ou do maior formato possível, quando o original fosse um outdoor, por exemplo. Cheguei a ir ao Rio, embarcado num Electra II, carregando toda a Família Dinossauro em peças recortadas para o PDV, que vazavam para fora da pasta, sem contar o floor display do Dino, o patriarcassauro, com cerca de 1,80m de altura.

Todo esse gigantismo tinha o objetivo de impactar o cliente para ressaltar a idéia, o conceito e o design gráfico aplicado às peças. Como não havia os meios digitais de elaboração, produção e apresentação (projeção) de layouts, o jeito era mesmo trabalhar na escala 1:1.

Um belo dia o computador entrou em nossa vida de comunicação e ganhamos uma ferramenta como jamais tínhamos sequer sonhado. Como pudemos sobreviver sem ela? Devem pensar todos os que viveram os tempos ASJ e DSJ (antes e depois de Steven Jobs). Os ganhos foram enormes em todos os sentidos: mais recursos para planejar, criar, apresentar e produzir os trabalhos.

Mas... (e sempre tudo tem um mas com reticências) junto com as coisas boas vieram outras que, mal usadas, passaram a agir contra nós mesmos. Dois casos, o e-mail e a possibilidade de pesquisa pela internet, se enquadram nessa ressalva.

O e-mail é usado como forma de comunicação entre colegas que estão a metros de distância um do outro e de transferência de responsabilidade (você não leu o e-mail avisando que o prazo era pra hoje?). Esse é o aspecto light do problema. O pior, e isso é cada vez mais comum, é quando o layout do cartaz, do folder com 12 páginas e do material de PDV é enviado por e-mail para aprovação. O gigantismo de ontem transformou-se no minimalismo de hoje, não por concisão, mas por preguiça mesmo ou por falta de compromisso com resultados.

A pesquisa pela internet, por sua vez, transferiu todo o trabalho de levantamento de dados para quem deles precisa. Quando muito informa-se a URL do site do prospect em concorrência. Ou seja, não se desenvolve, em conjunto na agência, uma cultura do job, que não pode ser alcançada somente com as conclusões dos relatórios, mas precisa do raciocínio que envolveu sua elaboração.

O mesmo galho que nosso ancestral pré-histórico empregou para derrubar uma fruta no alto da árvore ele deve ter usado como clava para abater um desafeto.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Obam@



A impensada vitória de um candidato negro às eleições presidenciais nos Estados Unidos certamente será atribuída a um zilhão de causas, não devendo faltar, entre elas, alguma citação das Centúrias de Nostradamus, como sempre, prevendo esse momento importante no caminhar da humanidade. Assim sendo, nada mais oportuno do que usar este espaço no Promoplanners para observá-la do ponto de vista da comunicação do marketing.

A campanha de Obama foi um belo case de estratégia de 360º com o emprego, pela primeira vez numa campanha eleitoral, dos recursos da web não como extrato das mídias convencionais, mas como um canal above e below the line, planejado para ser protagonista.


Brended content, geração de conteúdo pelo público, virais e tudo o mais que a web.2 possibilita foram de alguma forma usados na campanha. Com isso, mais do que apenas se utilizar de um novo canal, a comunicação ajustou sua freqüência a um outro nível, falando diretamente a um novo público e falando de forma diferente a um público já calejado em promessas eleitorais.


O postulado de McLuhan se fez sentir novamente e o meio, a web, tornou-se também a mensagem, abraçada com espontaneidade principalmente pelo público jovem que, neste ano, compareceu maciça e entusiasticamente à confusa e demorada votação americana.


Cerca de 50% das doações recebidas pelo comitê de Obama, coisa por volta dos US$ 300 milhões, foram de pessoas físicas (lá é permitido), no valor médio de US$ 500 por doador. E quem possibilitou essa passagem de chapéu em todo o território americano de forma simples, rápida e direta? A internet.


A esperança de mudança liderada por Obama pode até morrer na praia da retórica política (espero que não), mas uma grande coisa já não será mais como antes daqui para a frente: a forma de se comunicar com eleitores.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O livro e o marketing – Parte 2

Em que pese termos um mercado consumidor pequeno para livros, há uma indústria livreira. E isso basta para ao menos discutirmos os caminhos para um marketing do setor.

Grosso modo, o mercado do livro pode ser dividido entre os livros didáticos e os não-didáticos. Por didático reúno os que são selecionados por professores e autoridades da educação. Nesse segmento, a jóia da coroa são as compras feitas pelo governo em seus programas educacionais: um mercado milionário (vendas superiores a um milhão de exemplares por título), disputadíssimo por grandes grupos editores, que não precisa (ou não sente necessidade) de marketing, quando muito, um lobby competente basta.


Os não-didáticos são aqueles que se espremem nas prateleiras das livrarias tentando chamar a atenção dos minguados leitores. Aí o marketing deveria ser vital.


Evidentemente que autores já consagrados em seus gêneros ou que, por circunstâncias extraliteratura, ganharam a mídia não precisam mais do que um bom trabalho de assessoria de imprensa, anúncios nos cadernos de cultura e compra de espaços nos pontos nobres das livrarias. Por essa razão, os passes dos best sellers são disputadíssimos. Eles são o próprio marketing das editoras.


Por outro lado, o livro, a mais bem-sucedida mídia criada até hoje, responsável pela difusão de todo o conhecimento acumulado pela humanidade, um dos pilares das modernas civilizações, inclusive as teocráticas, é algo ainda visto como sagrado e, portanto, passa a ser uma heresia tratá-lo como mercadoria. Recentemente ganhou ares de escândalo, por parte do jornalismo cultural, o fato das livrarias venderem os espaços nas vitrines e à entrada da lojas.


Não se imaginam ações promocionais como, por exemplo, as feitas para lançar séries de TV ou filmes, que são também produtos de conteúdo. Talvez haja aí o receio de que ao promover escancaradamente um livro ele se conspurque; do objeto livro sempre se espera mensagens edificantes, poucos se dão conta de que o papel, inclusive o impresso, aceita tudo.

Esse é um setor de custos altos (40% do preço de um livro é do distribuidor!) e margens apertadas, mas isso não é absolutamente impedimento para buscar soluções dentro do marketing promocional. Tanto é que pequenas iniciativas trazem resultados surpreendentes. A editora L&PM diversificou a distribuição colocando displays-dispensers com livros de bolso em farmácias, supermercados e outras terras não-santas para a “cultura” e a iniciativa está sendo bem-sucedida. Quanto a isso, uma curiosidade significativa: o criador do livro de bolso não conseguiu um único editor que apostasse em sua idéia, pois a solução de barateamento de produção é coisa de mercadoria. Quem viabilizou as primeiras edições foi uma rede de lojas de US$ 1,99, que tem por experiência que por esse preço vende-se tudo, literalmente.


Outra ação interessante vem sendo desenvolvida pela Ediouro, publicando amostras de seus lançamentos que reproduzem o livro em formato reduzido, com um extrato da obra em 18 páginas. É uma espécie de sampling de livro. O único senão é que esses aperitivos literários são servidos nas livrarias apenas, quando poderiam visitar outras praças: salas de espera, dispensers em terminais de transporte, acompanhar a conta em restaurantes, etc.

Temos à disposição a internet, com todo um universo a ser explorado, e a capacidade criativa dos planejadores armados de ferramentas de guerrilha, ambush marketing, branding content e tantas outras que podem dar um vigor nunca visto a esse mercado.


O objetivo, como disse no início, não seria vender o livro, desenvolver novos leitores, mas obras como se fossem marcas. Como bônus, por certo, ampliaríamos o mercado também, aumentando o índice de leitura entre os que lêem e de leitores entre os que não lêem.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O livro e o marketing – Parte 1


Uma coisa é o aumento de leitores de livros, outra é como fazer marketing de livros para um mercado pequeno, mas que existe.

O primeiro aspecto dessa questão foi muito bem explicado numa série de cinco posts intitulada “Dia dos Livros”, escrita por Roberta Carusi, do blog Planejamento Criativo.
O baixo número de leitores e, entre estes, de leitura, sustenta-se no tripé analfabetismo funcional (68% da população), falta de hábito de leitura (1,3 livro/ano, descontando-se os didáticos) e dificuldade de acesso (distribuição e preço/custo).

Uma coisa alimenta a outra e a resolução de um dos pontos isoladamente não paralisaria o círculo vicioso. Exemplo: se reduzíssemos o analfabetismo funcional de maneira significativa, isso não geraria novos leitores automaticamente, pois ainda restariam as pernas “hábito” e “acesso”. Mas se, indo mais a fundo, junto do analfabetismo funcional solucionássemos a acessibilidade ao livro, ainda assim teríamos o entrave da falta de hábito (leia-se necessidade) de leitura.

A predominância da esfera da imagem em nossa forma de obter informação e entretenimento pegou-nos no momento em que nos urbanizávamos, quando ainda não tínhamos formado uma cultura literária de massa; a herança rural era a da informação como forma de poder e divisão de classes. Tanto que, no passado, uma das primeiras providências dos anarquistas, sindicalistas e socialistas (todos movimentos essencialmente urbanos) era lançar um jornal.

Assim, não vejo como formarmos um contingente de leitores daqui para a frente, uma vez que a necessidade de informação será sanada por outras mídias. Há quem sustente, e sou inclinado a concordar, que somente as palavras podem comunicar idéias e formular pensamentos. Por esse raciocínio às imagens cabem comunicar conceitos fechados, emocionais e até subjetivos, mas não reflexivos.

Não tenho dados, mas desconfio que o número de leitores (ou a média de leitura) tende a diminuir ainda mais quando as novas gerações (alfabetizadas) migrarem ainda em maior número da logoesfera para a videoesfera, na qual o livro é uma mídia anacrônica.

Considerados esses pontos, fica a questão: por que pensar em marketing para um mercado em extinção? Respostas no próximo post: O livro e o marketing – Parte 2.

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Branded content




Essa nota deu no BLUEpill , como julguei ser esse um novo recurso para comunicar marcas através de conteúdos, reproduzo-a a seguir:

A GM estabeleceu uma parceria com a CBS para lançar nos EUA a série on-line “Novel Adventures”. A produção apresenta quatro amigas que formam um clube de leitura nada convencional. Em vez de apenas discutir sobre as obras, as moças resolvem se aventurar para reviver a história que acabaram de ler. Cada um dos oito episódios vai apresentar as amigas se aventurando em clássicos da literatura (como o “Velho e o mar”de Hemingway) sempre a bordo de um Saturn.


Diversos modelos do automóvel aparecem na história graças à personagem Lizzie, casada com um dono de concessionária que sempre empresta um Saturn diferente para as jovens. O site onde a série será transmitida permitirá algumas interações como comentar os episódios, comprar os livros relacionados a cada história e compartilhar a série com amigos. O Branded Content através de série e reality-shows on-line é um formato que ganha muita força nos EUA. Ford, Dove, Neutrogena, Dr. Pepper e HP são algumas das marcas que já apostaram nesta fórmula. Apesar da grande integração das marcas para contar as histórias, o formato ainda tem como grande desafio o engajamento do público para acompanhar toda a trama.


Mais detalhes no site:
http://www.cbs.com/noveladventures/