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segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Promoção em Rede



A mecânica não é nada nova, as pessoas se inscrevem e votam no melhor. Os mais votados ganham um prêmio e podem concorrer a um prêmio maior. O interessante foi a maneira realizada e o envolvimento gerado para a promoção da Benetton, It's my Time.

Para descobrir e definir a nova cara da campanha, a Benetton convocou jovens de todas as nacionalidades a entrarem em uma espécie de rede social. Cada um cria seu perfil, descreve o que faz dele diferente, faz upload de fotos e vídeos e pronto, seu perfil está aberto a votação dos demais integrantes da rede. A rede está com quase 22 mil participantes e crescendo.



O que eles estão procurando?
We're looking for something different, something unconventional, something surprising, something real. It's not just how you look but how you are.

O diferente, o nada convencional, algo surpreendente, algo real. Não é apenas sua aparência, mas sim, como você é.

Colocar pessoas totalmente diferentes em contato tem tudo a ver com a marca que sempre ousou em propagandas mostrando pessoas e situações nada convencionais. Criar uma rede, existindo já tantas (e cansativas), podia ser um tiro no pé, mas foi super bem resolvido, talvez porque o mote seja a promo e não a rede em si - a rede é apenas o facilitador da promo. A rede também conta com um blog que vez ou outra dá dicas em como e em que tipo de pessoas votar. E, como não poderia deixar de ser, também conexão com as demais redes socias: facebook, twitter, myspace.


Os 100 finalistas ganharão vale compras no valor de 200 euros para gastar na Benetton. Esses serão depois avaliados por um júri de especialistas para eleger os 20 finais, que voarão até Nova Iorque para protagonizar a campanha publicitária United Colors of Benetton Outono-Inverno 2010/2011, confiada ao fotógrafo inglês Josh Olins.

O interessante é ver pessoas de várias nacionalidades trocando elogios, comentando as fotos uns dos outros. O chato, como em toda rede social, são os scripts pedindo votos e perfis fakes.
Mas, no final é uma promoção interessante e de acordo com o posicionamento da marca.

Abs, Filipe

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

A lição de João Cabral



Antonio Cícero, em artigo para a Folha de São Paulo (Ilustrada de 15 de novembro de 2008), observou que “João Cabral de Melo Neto costumava dividir os poetas em dois grupos. O primeiro é o daqueles para quem tudo o que não é espontâneo -logo, tudo o que dá trabalho, tudo o que é difícil- é falso. O segundo, no qual ele mesmo se colocava, é o daqueles para quem tudo o que é espontâneo - logo, tudo o que dispensa o trabalho, tudo o que é fácil - é falso. Para ele, “o fácil e espontâneo jamais passava de eco ou repetição inconsciente de vozes alheias”.


Ótimo, mas o que isso tem a ver com o planejamento promocional? Muita coisa, se substituirmos as palavras do poema por idéias.

Obviamente o planejar uma ação promocional está a anos-luz da ourivesaria literária que é a composição de um poema, mas o processo de criação não fica tão distante, principalmente se considerarmos a criação poética como arte e não como dizia João Cabral dos versos inspirados, ou seja, sem elaboração racional: “Todo o mundo acha de descrever a dor de corno dele como se fosse um poema”.


No planejamento promocional também só conseguimos chegar a resultados originais quando, através da lapidação cuidadosa das idéias, superamos a reprodução pura e simples do “eco ou repetição inconsciente de vozes alheias”.
Parodiando Carlos Drummond de Andrade, podemos dizer: Lutar com idéias/ É a luta mais vã. / Entanto lutamos / Mal rompe a manhã.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

A ação é a mensagem


Durante muito tempo, os formatos das mídias estavam definidos pela indústria da comunicação. Cabia às agências preenchê-los com sua mensagem. Embora McLuhan tenha observado que a mídia era a mensagem, havia, como ainda há, um incontido espaço de realização na comunicação.

Um comercial de TV continuava sendo um pequeno filme de 30 segundos (com exceções para módulos de 15 segundos), um spot de rádio era um jingle, uma locução de cabine ou um esquete radiofônico e uma peça de mídia impressa partia da modulação do retângulo de uma página. Sim, ainda havia o billboard que, por razão que desconheço, apenas nós, brazucas , nomeamos “outdoor”.


Àquilo que se convencionou chamar de comunicação de marketing (como se a propaganda também não o fosse), mais tarde de “no media”, ficou reservada a função de complementar a informação. As características dos produtos, suas versões e benefícios, a rigor, eram tarefas dos folhetos e das malas diretas.
Nesse contexto, o marketing promocional se limitava a agir objetivamente valendo-se de estímulos racionais para a compra: compre e ganhe ou concorra ou aproveite tal oportunidade promocional “por tempo limitado” em liquidações e ofertas amparadas em descontos.

Essas campanhas tinham que ser suportadas pela propaganda e os esforços de “no media”. Era uma dimensão paralela a McLuhan, na qual a ação não era a mensagem.
Tudo isso continua valendo, pouco mudou, mas novas mídias foram acrescentadas e as ações de marketing promocional passaram a ser, elas mesmas, ações de comunicação que, como tais, viraram mídia e portanto passaram a definir a mensagem.

Não podemos mais, portanto, simplesmente planejar uma abordagem com blitz como item genérico da farmacopéia do marketing, receitar um evento com coquetel-mestre-de-cerimônia-vídeo empresarial-DJ, compre-concorra-ganhe, contando que a comunicação convencional (mídia e no media) cuide da mensagem conceitual.


A ação é a mensagem e, como tal, deve ser planejada criativamente com o mesmo cuidado de elaboração da idéia e de produção como se fosse um comercial de TV ou uma página dupla de revista.

sábado, 14 de junho de 2008

Short List pronto.

De acordo com nosso colaborador Neto, está pronto o short list de promo.
No twitter dele consta que esta é a melhor participacão brasileira em promo.
Vamos torcer por leões brazucas.
Saiba mais no blog especial sobre Cannes do próprio Neto. Aqui.

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

O splash envergonhado

(Este post é dedicado aos amigos e diretores de arte Pepe Fernandez e Érico Adachi, que seguem comigo na cruzada contra as marcas promocionais).

Há tempos venho tentando chamar a atenção do pessoal envolvido em ações promocionais para a automatização das soluções. Na prática, esse agir sem pensar significa determinar “o que fazer” antes de ter o “por que fazer”.


Saca-se de um cinturão de utilidades à la Batman um recurso do kit promocional e, numa só tacada, está resolvido o briefing, o brainstorm e a linha criativa. São muitas as atitudes (ou vícios) que se enquadram nesse caso, mas, devido ao espaço preciso de um post, vou tratar, por enquanto, da inexorável “marca-da-promoção”.

Você já se perguntou se em todas as vezes que se comunica uma ação promocional é mesmo necessário criar uma marca-tema? Será que ela é sempre necessária? Ela realmente ajuda na tarefa de comunicação ou esse é um procedimento-padrão? Provavelmente a resposta para essas questões é um rotundo “não”.

Comunicação de marketing é, antes de tudo, foco. Escolha uma só mensagem (ou condense várias num só signo) e fale, fale, fale “mantricamente”. Aliás, muitos analistas chegam a observar que os grandes autores contam sempre a mesma história vestida com diferentes roupagens.

Mas como ter foco se já começamos o processo de comunicação com a obrigatoriedade de criar um elemento que vai competir com outros tantos pela atenção do consumidor? Ah, mas a função da marca é justamente dar foco, sintetizando todo o approach da ação, responderão alguns. Na prática é exatamente o contrário que acontece: a marca é ao mesmo tempo uma “sacada” e uma ilustração que pouco, ou nada, diz do apelo promocional.

Na verdade a marca promocional é a evolução darwiniana do splash. Lá pelos anos de 1950 as promoções eram anunciadas com splashs pontudos que tinham a missão de representar graficamente um grito. Assim como os acústicos, esses tinham por objetivo quebrar a harmonia da narrativa e chamar a atenção para si.

Como geralmente as promoções eram feitas a partir do trabalho de comunicação do produto ou serviço, mais necessário se tornava o tal do splash para distinguir as comunicações e dar à mensagem um caráter de urgência devido ao, em geral, brevíssimo tempo de duração de uma ação promocional.

A partir do final da década de 1960, com o salto no apuro gráfico ocorrido no período, o splash passou a ganhar novas formas, num processo evolutivo que resultou na marca-tema como conhecemos hoje. Houve evolução, mas o DNA continua sendo do splash. Ou seja, a marca promocional é, no fundo, um splash envergonhado, constrangido por sua origem de pichação gráfica.

Está nesse fato grande parte da responsabilidade pelos layouts com excesso de apelos visuais, carregados de adornos gráficos que podem (e devem!) ser bonitos, modernos visualmente, mas assemelham-se a maracás de reisado, com seus fitilhos multicoloridos, espelhos, vidrilhos, lantejoulas e bordados.

É preciso considerar ainda que toda marca, seja ela do que for, precisa ser construída, precisa de branding, coisa que não é compatível com a urgência da comunicação das ações promocionais. Repetindo o que já foi observado mais acima, o breve período de uma campanha promocional, mesmo se esse breve forem meses, mal dá tempo de trabalhar o awareness da ação, quanto mais conceituar uma marca.

Por outro lado, acho que a marca é imprescindível em programas promocionais, ou seja, em ações seriadas, como os eventos proprietários do tipo TIM Festival, SKOL Beats, NOKIA Trends e outros do gênero. Aí sim justifica investir num trabalho de branding que irá facilitar a comunicação nas futuras edições do programa. E, atenção, note que, nos exemplos que pincei como os mais evidentes em minha memória, nenhum tem “sacadinhas”, todos carregam a marca proprietária na composição do nome e tem o design mais limpo e básico possível, o que permite realizar diferentes campanhas, com diferentes approachs a cada edição.

Lembro de uma campanha promocional da Shell na Europa (acho que era na Inglaterra), na qual eram distribuídas fitas cassete de áudio com músicas de diversos gêneros para ouvir “on the road”. A peça, que vi num anuário, era um cartaz em P&B com um big close de um rapaz de perfil segurando uma concha junto ao ouvido, como fazemos para ouvir o “som do mar” (a marca era Shell, não se esqueçam!). Na parte inferior tinha o pack shot com a coleção de fitas cassete em quadricromia, junto a um título discretíssimo dizendo algo como “Ponha uma trilha sonora na sua viagem. Abasteça com Shell e ganhe fitas da coleção On the Road”. Só. Nada de marca, nada de nome da promoção, nada do nome “promoção”, nada de enfeites, apenas o necessário e forte apelo para despertar uma ação no consumidor.

Como cantavam filosofando o menino Mogli e o urso Balu: “Somente o necessário, o extraordinário é que é de mais”. Less is more!