domingo, 8 de novembro de 2009

O Advergrose e as mídias alternativas

Ah... as mídias alternativas! O ruim das mídias alternativas é que depois de usadas, elas deixam de ser alternativas e passam a ser obsoletas. Aí, então, você tem que achar alguma outra mais criativa, mais bizarra, mais inovadora, enfim, que faça o público se interessar e fazer o tal do boca a boca pela sua marca. E aí surgem coisas como o advergrose (que eu apelidei assim - e tomei a liberdade para tal - por falta de categoria que se enquadre).
O que é o advergrose? São ações usando insetos ou qualquer outra coisa nojenta para divulgar uma marca, produto, serviço, etc. Os nojentinhos já estão presentes nas ações de marketing há algum tempo, como mostra o vídeo abaixo, ação para divulgar o pisante da Zoo York, usando simpáticas baratenhas. Reparem como não são baratas comuns, elas foram devidamente marcadas com o símbolo da marca.



E já que o seu logo possui uma mosca como símbolo, porque não usar as simpáticas em divulgação? Durante a Feira do Livro de Frankfurt, a editora Eichborn atraiu pessoas para o seu stand usando um flybanner, ou seja, moscas que possuiam banners amarrados/ colados em seus corpos.




Retirado do ótimo http://bcultural.com.br/blog/
Em nenhuma das ações foi declarado maus tratos aos animais.
Estou aguardando as ações de advershit, adverpi, adverfart para completar a categoria.

Abs,
Filipe

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Pixel Solidário e Criativo

Há algum tempo o Promo Planners aderiu à campanha Pixel Solidário, doando um post para a GRAAC.

Agora, alguns meses depois, a campanha foi premiada com um bronze no El Ojo de Iberoamerica, um dos mais renomados festivais publicitários da América Latina. Fico feliz em ver boas idéias (não-fantasmagóricas) que geram benefícios sociais alcançarem reconhecimento. Fatos assim reforçam a publicidade responsável - considerando o impacto de nosso trabalho na sociedade.

Vejam abaixo o vídeo-case da campanha:



Bonus Track:


PromoPlanners fazendo uma aparição relâmpago no vídeo-case. :)

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Booom!



Da Leo Burnett, Frankfurt

quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Cannes 2009 (com lag de 4 meses)

Como algum de vocês devem ter visto aqui no Promo Planners, fiz uma cobertura do festival de Cannes pelo blog da Aktuell. Há alguns meses eu repassei o conteúdo absorvido por lá para meus colegas e para os clientes da agência, mas só agora a apresentação está disponível para quem quiser ver. E por isso mesmo compartilho com vocês.

Não sei se a coisa vai ficar muito clara, pois grande parte do conteúdo foi transmitido no speech. A apresentação foi apenas um suporte. Mas dá para "pescar" alguns pensamentos e a linha de raciocínio. No final, os cases premiados de promo, design e marketing direto. E caso alguém queira se aprofundar em algum ponto, entre em contato.

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Brasileiros - o time do contra



Nós brasileiros somos um povo muito invejoso. Acho que essa culpa católica que nos é imposta desde os tempos do Cabral e esse sentimento de país de 3º mundo sempre fez a gente achar que aqueles que vivem acima da linha do equador sejam muito melhores na publicidade do que nós tupiniquins.

A “elite” brasileira então é aquela que só admira produções internacionais, que vai à Broadway assistir qualquer peça e é incapaz de ir ao cinema assistir um filme nacional. Que acha o Obama o máximo e vive falando mal do Lula.

No mundo das produções publicitárias isso não é diferente. Todo ano Cannes se enche de inscrições de todo o mundo e ficamos ansiosos para ver os projetos que levarão o leão para casa. A cada case premiado fazemos um raio-x da ação e admiramos a ousadia, a inovação, o storytelling, os filmes, as ações de BTL, a repercussão, os resultados... enfim, tudo!

Agora quando a campanha é brasileira os comentários mudam de figura: é fantasma, é chupado, é fake, é ruim, é de mau-gosto, e o ó. Basta alguma agência, cliente ou pessoa se tornar foco do holofote brasileiro para que todos que estão olhando comecem a atacar com ovos, tomates e o que mais puder para desmerecer o destaque ou não dar o devido crédito.

A TV brasileira quando dá destaque a uma situação inusitada em seus telejornais, ao invés de dar crédito a quem proporcionou, não fala a marca porque não quer promover uma empresa a não ser que ela pague para isso. Sempre vemos: “A empresa líder no segmento de refrigerantes” ou “Uma empresa aérea brasileira”.

O contrário não é verdadeiro. Basta uma notícia negativa sobre a empresa para já falarem em alto e bom som para todos e nos mais diversos meios “A queda do avião da TAM”.

E desse jeito ficamos aqui em terras tupiniquins imaginando como poderíamos realizar cases tão bacanas como aqueles que acontecem fora do Brasil.

Aí eu me pergunto: E os cases internacionais também não podem ser fantasmas? Será que os virais também tinham a turma do torce contra para destruir a história?

Será que quando o case O melhor emprego do mundo começou alguém foi “alertar” a todos nos blogs, twitters e outros meios digitais dizendo que aquela história era uma CAMPANHA DE MARKETING para promover o turismo em Queensland?

Será que a SEGA e a Wieden Kennedy de New York tiveram pessoas que se manifestavam dizendo que o case Beta-7 era uma “jogada de marketing” para promover o jogo?

Cases assim, para mim, são experiências de entretenimento. Nelas, assim como nos filmes, séries e novelas você nunca gosta de quem dá o Spoiller porque estraga o final da história. Então caro brasileiro, se você não gostou do case, ignore-o, mude de canal... ou então curta a história com aqueles que estão interessados. Mas por favor, se você sabe, não grite o final do filme. Atrapalha quem tá assistindo, ok?

sábado, 24 de outubro de 2009

Mudar hábitos é mais fácil se for divertido

Lembra do filme BIG (quero ser grande) com o Tom Hanks com uns 20 anos? Você não quis brincar naquele piano gigante?
O vídeo abaixo virou hit.


Não tem nada invador, você já tinha visto isso, mas a VW e a DDB Sueca transformaram isso numa teoria (the fun theory), fizeram um site e criaram um padrão que pode ser explorado de diversas formas, como nesse segundo vídeo.


Além disso, no site rola um concurso cultural de novas ideias para explorar a Fun theory. Pensou em alguma?
Abs, Filipe

terça-feira, 20 de outubro de 2009

¿Adiós a quién?



dica via twitter do @neto

Agência Samurai procura planejamento



Agência Samurai procura profissional de Planejamento com experiência mínima de 3 anos na área de planejamento de BTL e que tenha no repertório:

· Experiência no planejamento de promoções e ações de trademarketing; ( leis, regulamentos, conhecimento prático da realidade de campo, PDV)
· Criatividade aliada à Visão de Negócios (além do Mercado de Comunicação, ambiente de negócios, processos, números e gestão);
· Interesse acima da média em atividades culturais e tendências de mercado;


Os interessados devem enviar currículo para Jôsy Santos - jsantos@integration.com.br

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Em algum lugar do passado

Minha avó já passou dos 90 e até pouquíssimo tempo atrás tinha lucidez suficiente para morar sozinha e dirigir um carro. Mas o tempo é implacável até com quem se cuida e, mais dia menos dia, chega a hora de pisar no breque e desacelerar.

Pois bem, ela ainda está viva e relativamente bem de saúde, mas não podendo mais viver de forma independente tivemos que tomar a dura decisão de vender seu apartamento e trazê-la para a casa de meus pais. Coisa que, diga-se de passagem, ela não concordou muito. Mas acreditem, não havia outra opção.

Por causa disso passei um dia todo dentro de seu apartamento fazendo faxina, resgatando documentos e selecionando lembranças antes que o novo dono chegasse. Dentre muitas coisas que descobri nas gavetas e armários da casa da minha avó fui surpreendido com vários brindes promocionais que ela guardava com o maior carinho. Um exemplo é esse livro de receitas, que fiz questão de fotografar para publicar aqui.

Isso me fez pensar sobre a relação das pessoas com as promoções. Até onde um brinde ou um prêmio pode fazer parte da história de vida de alguém? Os entusiastas dos anos 80 até hoje reverenciam aquela coleção de mini-garrafas de Coca-Cola. Minha avó guardava um livro de receitas do Açucar União. Qual o valor dessas coisas para uma marca? Como criar ações cujos brindes sejam mais perenes e menos descartáveis? O tempo que a pessoa guarda uma coisa dessas pode ser uma medida de sucesso?



Esse post é uma contribuição de Bruno Scartozzoni, idealizador do blog que hoje navega por outros mares.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

O poder de barganha dos clientes



Comecei a minha vida profissional numa empresa de equipamentos onde o core business era venda e locação de impressoras. Tinham agências e empresas de grande porte como cliente. Posso dizer que comecei a entrar nas mais representativas agências do mercado pelas portas dos fundos, como fornecedor.

Nessa época, um dos melhores vendedores era meu “tutor” na empresa e eu o acompanhava em quase todos os clientes. Nesse período vi todo tipo de negociação possível e imaginável. Para cada cliente, havia uma tabela apresentada, uma forma de pagamento diferente e um tipo de discurso.

De lá pra cá, acompanhei diversos tipos de negociações entre fornecedores e clientes. São descontos absurdos em tabelas que “regularizam” o mercado, contratações condicionais aos fechamentos das contas e até mesmo remunerações para o cliente, ou o famoso “por fora”. Tuuuuuuuudo para fazer o cliente se sentir feliz e satisfeito.

Nas agências não é diferente. A política de tratamento dos clientes vai muito além dos almoços em restaurantes caros e doces das reuniões. O poder de barganha dos clientes é tão grande que as agências se submetem verdadeiras barbáries. O que antes era um agrado para o cliente, onde todos os produtos daquela categoria passavam a ser comprados da empresa em questão. Hoje em dia, em muitas agências, consumir um produto do concorrente dentro da empresa ou até mesmo próximo é motivo para demissão por “Justa Causa”. E vai além! O cliente manda e desmanda na estrutura organizacional da empresa, manda contratar, mas manda também demitir, justificando um motivo esdrúxulo e forçando a barra que essa ou outra atitude é passível de “perda da conta”.

Nós funcionários (ou já que emitimos NF podemos nos considerar fornecedores?) acabamos sofrendo com isso. Em um mundo atual onde a tecnologia nos permite expor nossas vidas pessoais e profissionais através da internet, também temos que tomar muito cuidado com o que fazemos fora do nosso “ambiente de trabalho”.

As queixas sobre o trabalho, que aconteciam na mesa do bar ou no sofá de casa hoje aparecem no twitter, no blog, no Orkut, etc.

Só que esse desabafo fica registrado, um simples momento extravasado mesmo que em forma de um sussurro contido pode trazer conseqüências não tão positivas depois.

Acontece que os clientes perceberam (e nós mostramos para eles inúmeras vezes) que a internet tem um poder enorme de disseminar uma marca para o bem ou para o mal.

Dessa maneira, surgem políticas empresariais (criadas após o incômodo de uma cúpula ou por uma reclamação de um cliente) de como os contratados de determinada empresa devem proceder com relação às mídias sociais. Aqueles que não cumprirem com o estabelecido, são demitidos por “Justa Causa”.

Existem aqueles que reclamam da censura e existem aqueles que defendem as empresas.

É claro que sempre aparece a famosa “regra do bom senso”. Só que bom senso é relativo para cada pessoa. O que um considera normal, o outro pode achar um absurdo tremendo. E algo tão grave como uma demissão não pode ficar a mercê de algo tão subjetivo.

Mas até que ponto as empresas podem controlar o que publicamos em nossos blogs, twitters e orkuts da vida? E qual é a linha que separa o que é profissional do que é pessoal? Até que ponto contar um fato é denegrir a imagem de uma agência ou cliente? É censura ou não? Você concorda com a normatização de uso pela empresa que você trabalha? Você já foi repreendido? Qual a sua opinião? Cliente tem sempre razão?

terça-feira, 6 de outubro de 2009

Seja a mudança que você quer ver no mundo

Como você vive, sonha, lidera?



Além da mensagem bacana, a apresentação visual é excelente. Inspiração para corações que acreditam no poder da liderança como propulsor de profundas mudanças sociais.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Repensando Campanhas de Incentivo

De todas os tipos de agências de comunicação as de marketing promocional talvez sejam aquelas que mais trabalham e conhecem o público interno, ou seja, funcionários, colaboradores ou qualquer outro nome que você queira dar para gente que recebe salário em troca de trabalho. Entre outras palavras, quase todo mundo a partir de uma certa idade.

O motivo é que volta e meia empresas de todos os portes e segmentos inventam de fazer campanhas de incentivo. A idéia é sempre dar algum tipo de premiação (viagens, carro, utensílios domésticos etc.) em troca de um esforço de aumento de resultados (venda, produtividade, etc.).

Para os planejadores de marketing promocional cabe ver quem é o público, qual é a cenoura da vez que fará com que ele se motive mais, e como amarrar a mecânica de forma a gerar o melhor resultado possível.

Nesses anos todos já vi algumas campanhas de incentivo darem muito certo e outras nem tanto, mas esse vídeo do TED dá uma bela chacoalhada em conceitos que até ontem pareciam óbvios.

Utilizando uma experiência científica como argumento, Dan Pink advoga que, para certos tipos de tarefa, premiações e bônus podem funcionar ao contrário do que prevíamos, desincentivando as pessoas.



É claro que todo mundo gosta de ganhar um dinheirinho a mais, uma viagem para a Disney ou uma TV de plasma de última geração, mas o ponto é que, sobretudo em casos onde é preciso entrega intelectual e emocional, esse tipo de incentivo pode limitar.

Dan Pink defende que é muito melhor incentivar as pessoas por meio de trabalhos que elas façam porque gostam, porque é interessante e porque importa para a sociedade. Utópico? Talvez. Mas ele mesmo rebate com exemplos como o Gooogle, que dá autonomia para que os funcionários trabalhem em projetos pessoais durante 20% do tempo. Certamente que muitos desses projetos dão em nada, mas em contrapartida alguns dos produtos mais revolucionários da empresa, a começar pelo Gmail, saíram daí.

Longe de ter a fórmula ideal, mas fico pensando se em muitos casos não cabe ao planejador de marketing promocional sugerir que uma empresa, ao invés de criar uma campanha de incentivo nos moldes tradicionais, implante outros tipos de ação.


Esse post é uma contribuição de Bruno Scartozzoni, idealizador do blog que hoje navega por outros mares.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Storytelling com paixão

Isabel Allende, autora e ativista, participou do último TED e emocionou a platéia (e a mim) com um discurso extremamente apaixonado e inspirador. Se você acha que não pode "perder" 18 minutos de sua vida vendo esse vídeo, é porque merece perder esse tempo no trânsito.



Como você pode mudar o seu mundo?

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Coke Parade



Nada como ter um ícone altamente reconhecido, valorizado e bem trabalhado.
Vários estilistas decoraram garrafas gigantes de Coca que participaram de um desfile e até 04 de outubro estarão expostas nas ruas de Milão.
Foram produzidasa garrafas de Coca-Light com as decorações e a renda obtida com as vendas vai para as vítimas do terremoto de Abruzzo.
Uma ação completa: marca, venda, fashion, evento, PR, ação social e o o escambau.

UPDATE: tem um site oficial http://www.coca-cola.it/tribute_to_fashion/ (via @MayraCarvalho)

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Propagandísticas

Antes de começarem a ler o texto abaixo, escrito por Claudio Abramo, gostaria de esclarecer os motivos que me levaram a replicá-lo aqui:

1. Gerar reflexão e diálogo
2. Mostrar que a maneira irresponsável com que muitos profissionais encaram a publicidade ("Cocô na casa do Pedrinho") está tornando as pessoas cada vez mais críticas e transformando nossa profissão em alvo de escárnio.
3. O texto é ótimo. Boa leitura.

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Tomo a liberdade de comentar dois anúncios publicitários que estão sendo veiculados na televisão.

Antes, conviria esclarecer que, na opinião deste que escreve, publicidade é uma das coisas mais detestáveis que existem na face da terra.

1. A justificativa formal para a existência da publicidade é econômica. Vai mais ou menos assim:

Uma condição necessária para que os mercados (ou seja, os ambientes em que se dão as relações entre consumidores e fornecedores de produtos e serviços) funcionem é que os consumidores conheçam as diferentes opções que lhes são oferecidas pelos fornecedores.

Num ambiente em que a informação a respeito de bens e serviços não flua bem, a competição entre fornecedores é atenuada e a eficiência econômica resulta reduzida. Ou seja, não apenas os preços praticados são mais elevados do que poderiam ser como a redução da competição entre fornecedores não os estimula a reduzir custos via barateamento de processos produtivos, busca de melhores materiais, desenvolvimento de mecanismos auxiliares (como logística) mais eficazes, criação de novos produtos etc.

Portanto, a justificativa para a publicidade é informar os consumidores a respeito das características de bens e serviços disponíveis no mercado, de forma a permitir-lhes tomar decisões de compra racionais.

2. Esse é o pretexto formal, que os publicitários sempre mencionam (na forma de discursos sobre a “liberdade de informação”) quando enxergam alguma ameaça no horizonte (como, por exemplo, serem proibidos de emporcalhar a cidade com cartazes propagandísticos).

Qualquer pessoa que já tenha ligado um aparelho de televisão, ouvido o rádio, folheado uma revista ou jornal sabe perfeitamente bem que a última atitude que os publicitários e as empresas anunciantes desejam é que o consumidor tome decisões racionais. A publicidade é completamente voltada para apelos de natureza subjetiva (”emocional”, como costumam equivocadamente dizer os publicitários).

Assim, não há racionalidade que consiga explicar que alguém (por exemplo) decida adquirir um desses caminhões pretos com tração nas quatro rodas, motor diesel e ilegais vidros escurecidos (proibidos pelo Código Nacional de Trânsito mas nunca multados — DETRAN, cadê você?) para trafegar numa cidade. Os anúncios desses veículos puxam pela vida rural, exibem estradas centro-africanas e trilhas inexpugnáveis, como se o público consumidor desses troços conseguisse distinguir uma vaca de uma cabra.

Os publicitários devem ter total horror aos sítios de Internet que oferecem produtos de marcas diferentes com suas respectivas características e preços. Não há, ali, lugar para um excesso de embromação (embora também exista, é claro), de forma que esse não é um mercado para publicitários.

Especialistas do embuste, os publicitários precisam de veículos de comunicação do tipo antigo.

A Internet não é (ou ao menos não é na projeção futura) um espaço realmente propício à publicidade.

3. Um dos motivos pelos quais a publicidade-chantili sobrevive é a predominância dos veículos de comunicação estruturados como no século 20 — rádios, televisões, jornais, revistas. O financiamento desses veículos vem da publicidade e a publicidade se alimenta da existência desses veículos.

O século 20 acabou e o século 21 não vai terminar como o anterior. Acredito ser possível prever que a Internet e a consolidação das estruturas multi-canal (Internet-TV, principalmente) acabará por liquidar com a publicidade conforme a conhecemos (e com os jornais).

4. Como não têm qualquer espécie de compromisso com algum vestígio de verdade ou correção, os publicitários são os maiores promotores da esculhambação dos costumes. Por exemplo, o idioma.

Publicitários fazem pesquisas qualitativas com grupos de consumidores. Ao fazê-lo, observam que o consumidor médio brasileiro, por ser semi-analfabeto, tem dificuldade em compreender sentenças que incluam a justaposição de preposições com conjunções (por exemplo). Sua solução é reforçar a ignorância. No anúncio que produzem, em vez de dizer “a viagem com que você sonhou a vida inteira”, o locutor lasca “a viagem que você sonhou etc.”

O público, ao ser exposto a essa gramática tatibitate, aprende que a gramática é essa.

Decerto haverá professores de letras que dirão que isso é a “evolução da língua”. Isso. “evolução da língua rumo aos grunhidos das cavernas.

5. Retornando enfim ao início, o primeiro anúncio que gostaria de comentar é de um desses inacreditáveis sachês que se dependuram dentro da privada. Um sujeito que acabou de urinar chama a mulher: “Querida, precisa trocar o refil”.

Ato contínuo, aparece a mulher do indigitado, vestida num macacão antibiológico etc. etc.

Por se tratar de um anúncio escancaradamente porco-chovinista (por que raios o idiota não troca ele mesmo a porcaria do refil?), imaginei que ONGs de mulheres tivessem se insurgido contra ele (e outros, iguais).

Fui procurar na Internet e encontrei apenas duas (!!!) menções ao anúncio, uma delas descartável e a outra no Barrados no Eden.

Nenhuma reclamação de mulheres.

Betty Friedan, where are you?

6. O segundo anúncio é uma série do Banco do Brasil com locução do ator Antonio Abujamra.

Coisa mais estranha. Tudo é “du Brasiuuuuu”.

Nos anúncios, o Brasiiuuu é pujante, brigador, valente, e tal e qual — tudo propaganda do governo, é claro, além de boa parte ser mentira, pois se algo caracteriza o brasileiro é a subalternidade.

Resta a sensação de que aqueles anúncios poderiam ter sido produzidos pela Herbert Richers em 1947 ou 1972. Num caso, pelo anacronismo da voz. No outro, pelo ufanismo ao estilo general Medici.

7. Milhares de outros anúncios imbecis, ofensivos, ignorantes, de mau gosto e dotados de características deploráveis (são quase todos assim) poderiam ser mencionados, mas vou parando por aqui.

Bom dia.

Blog do Claudio Weber Abramo - Último Segundo iG

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Promoçãozis do Passadis

Marca com Pedigree

Pedigree. Taí um cliente com o qual eu gostaria de trabalhar.
Os caras tem um conceito animal (desculpem o trocadilho), ativado por ações que geram um benefício muito importante para os cachorros - 100,000 deles são abandonados todos os anos.

Por isso, "Adotar é tudo de bom" é um posicionamento com relevância social.

A mais recente ação promocional da marca foi o lançamento de um livro infantil - "Oliver's Travel" - cuja parte do valor de venda será revertido para caridade (ONGs que lutam pela causa da adoção de cachorros). Criado pela renomada autora infantil Liz Pichon, a pedido da TBWA/London, o livro custa 2,99 libras e pode ser adquirido online.


O mais bacana é que o livro não é uma tentativa de propaganda disfarçada. A marca praticamente não aparece. É simplesmente a história de um cachorrinho que vivia em uma casa confortável até as coisas mudarem de repente (provavelmente ele é abandonado e vive muitas aventuras até encontrar um novo lar).

Além de reforçar os valores da marca, "Oliver's Travel" chama atenção para a causa da adoção e ainda por cima proporciona conteúdo educativo para as crianças.

Se as marcas tratassem as pessoas igual a Pedigree trata os cachorros, talvez o mundo fosse um lugar melhor...

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Planner Post-it

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Opinião: E se todos os planners morressem em um terremoto?

Por Andrew Hovells*

(via chmkt)

Imagine se alguém organizasse a maior conferência de todos os tempos. Grande o suficiente para todos os planners dos quatro cantos do mundo comparecerem.

Ótimo. Agora, vamos fingir que a conferência foi subitamente destruída por um terremoto. De uma hora pra outra, não sobrou um planner no mundo. Como seriam as coisas sem eles?

Aposto que as agências não sentiriam muita falta. O atendimento continuaria levando as coisas adiante, a criação continuaria tendo ideias, espaços na mídia continuariam sendo comprados e pesquisas de mercado continuariam sendo feitas para garantir que as campanhas não se resumam a exercícios de adivinhação. Alguns poderiam até arriscar a dizer que as coisas passaram a acontecer com mais velocidade.

Então, pra que serve o planejamento?

Vamos voltar aos anos 1960. Os departamentos de marketing estavam inundados com todo tipo de dados sobre o consumidor, enquanto as agências não tinham ninguém que fosse capaz de dar algum senso a eles.

Enquanto isso, eles tiveram discussões calorosas sobre as ideias criativas com nenhum input vindo das pessoas que realmente importavam: os consumidores. A pesquisa, então, entrou no caminho das ideias.

Portanto, os planejadores foram inventados para ser a ponte entre a pesquisa e a criatividade. Ou seja, para usar a pesquisa para criar ideias criativas mais poderosas.

Não é simplesmente ser a voz do consumidor – isso é passivo demais. Planners não são simplesmente pesquisadores. Eles usam esse material bruto para embasar a construção de ideias – novas coisas, não apenas o que a pesquisa diz que deve ser feito.

Todo o resto veio depois: brainstorming, moderação de grupos, detecção de tendências, escrever blogs, media neutral. Tudo isso foi e é valioso, mas são pontos extras em relação à função principal do planejamento. O problema é que tem sido fácil confundir essas funções no trabalho diário, com elas tomando cada vez mais do seu tempo.

É por esse tipo de coisa que sentiriam falta de você?

Talvez seja por isso que os planejadores acham tão difícil explicar às outras pessoas o que fazem. Estamos sofrendo uma crise de identidade. O mundo tem se tornado mais complexo, há novas maneiras de tentar entendê-lo e empregar o que você aprende, mas no final, se todos os planners desaparecessem naquela conferência imaginária, o que as pessoas deveriam sentir falta é justamente a razão pela qual fomos inventados:

Para usar a informação dos consumidores no desenvolvimento de melhores estratégias e ideias criativas.

*Andrew Hovells é planner da TBWA Manchester.

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

A história das coisas: a triste faceta de nossa profissão.

"Logo após a segunda guerra, políticos e empresários estavam tentando encontrar maneiras de fortalecer a economia. Foi então que Victor Lebow, um analista do varejo, articulou a solução que se tornaria a norma para todo o sistema capitalista:

Nossa economia altamente produtiva exige que façamos do consumo nosso meio de vida, que convertamos a compra e o uso desse produtos em rituais, que busquemos nossa satisfação espiritual - a satisfação de nosso ego - no consumo... Precisamos ter coisas consumidas, queimadas, substituídas e descartadas em um ritmo cada vez mais acelerado."

Essa é a essência de nossa profissão. Garantir a manutenção dessa lógica de consumo. Por isso, é muito importante que assistam ao vídeo de onde retirei o texto acima (talvez alguns já tenham assistido). Não precisamos nos revoltar ou liderar motins em nossas agências, mas sabendo da posição que ocupamos, seria no mínimo irresponsabilidade fechar os olhos para a questão.

"The Story of Stuff", com Annie Leonard (e legendas em português):

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

La vie en vert


Para saber se uma madeireira tem futuro, veja que floresta fica perto dela. A nossa é a Amazônia.
Dizia esse anúncio para captação de incentivos fiscais publicado em 1972 que prosseguia com a seguinte argumentação:

“A Cia. Madeireira São Miguel não tem motivo para se queixar da vida. A maior reserva florestal do mundo fica ali, no fundo do quintal. A fábrica está perfeitamente aparelhada. As máquinas funcionam 16 horas por dia. E o próximo cargueiro, com carga total de serrados de madeira, está para sair do nosso próprio porto”
.

Antes do caro leitor ficar chocado ou julgar esse anúncio o cúmulo do cinismo, é bom entender que o tempo, assim como as consciências, era outro. Trinta e sete anos separam essa peça publicitária dos dias de hoje: um longo tempo para uma existência, um segundo para a História.

Tudo, tratando-se de sustentabilidade e fundamentação ecológica, ainda é muito recente. Temos milhares de anos de civilizações que, como essa Cia. São Miguel, julgavam a natureza seu fundo de quintal.
Há conceitos, valores e “verdades” que estão profundamente arraigados em nós. Mudá-los implica transformar o próprio homem.

Será essa a transformação aquariana pregada pela turma do Flower-Power?

Quem viver verá.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Já não se morre mais como antigamente




Li no UOL uma nota sobre uma feira de negócios voltada para a indústria funerária: FunExpo (atenção para o “fun”).

Como esse é um universo do qual estamos (felizmente) distantes no dia a dia, as informações sobre o evento acabam ganhando um acento cômico. Todo o ar grave com que tratamos esse assunto se dilui num negócio como outro qualquer para quem vive da morte.

Poupança-funeral, caixões ecológicos, veículos especiais, esquifes customizados estavam entre as novidades apresentadas ao trade desse mercado.

O setor promete: crescimento de 15% ao ano no último quinquênio, média de um milhão de óbitos anuais e uma população que, embora mais longeva, vem envelhecendo aceleradamente, por conta de uma acentuada queda da taxa de natalidade. Há, portanto, um grande potencial de consumo para um target que está pela hora da morte.

A presença da tecnologia também se faz sentir nesse setor. Você pode mandar seu ente querido literalmente para o espaço, através de um serviço que coloca em órbita da Terra as cinzas do falecido devidamente encapsuladas (R$ 30 mil) ou transformá-lo num diamante artificial por um processo industrial (R$ 12 mil).

Mas o que achei a mais interessante das novidades foi o e-velório: familiares e amigos, sem o desconforto de se deslocarem para uma morgue, velam pelo defunto de casa, do trabalho, da lan-house, de onde tiver um hot-spot, acompanhando o velório em tempo real pela internet, com direito a trilha musical e outros efeitos.

A FunExpo também é um bom motivo para pensarmos nosso fazer no marketing promocional, considerando que os estandes, como em qualquer evento desse gênero, também apresentavam atrações: além das “gostosas” de sempre atraindo a atenção para rabecões e produtos afins, era possível levar de lembrança uma foto sua deitado num caixão premium.

Pergunto: o que faríamos se recebêssemos um briefing desses?

Mal de Parkinson

Para mostrar as dificuldades sofridas pelos portadores da doença, a DDB/Rapp melbourne usou as famosas "máquinas de pegar bichinho" com objetos do cotidiano das pessoas.
Para brincar, bastava doar uma moeda de $1. Nas primeiras 12 horas foram arrecadados mais de $5.000.

Este post e o debaixo foram descaradamentes kibados do Directdaily.

Seu celular tem seguro?



criação da McCann Erickson, Romênia.

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Fora da caixa e de si


Antimarketing é marketing também. Uma companhia aérea econômica da Europa, de nome Ryanair, tem por princípio tratar seus passageiros sem a menor consideração.
Seus bilhetes custam pouco (uma média de 40 euros para as 850 rotas que serve em toda a Europa), mas o tratamento...

A Ryanair cobra taxa de tudo, até do check-in (US$ 56 no aeroporto e US$ 7 on-line). O SAC é só por carta (não respondem a e-mail nem telefone). Em caso de cancelamento de voo, não pagam hotel. Estão pensando seriamente em cobrar pelo uso do banheiro do avião (Michael O’Leary, seu executivo-chefe cogita mesmo reduzir para um o número de banheiros no avião).
Nada de esteira para transportar a bagagem: cada passageiro tem que levar suas malas até o avião. Afinal, se as trouxe até o aeroporto, por que não carregá-las mais um pouquinho?

O primeiro credo no decálogo da Ryanair é “Cliente nunca tem razão”. Em que pese os processos por publicidade enganosa e extrema grosseria no tratamento com clientes, a Ryanair vai muito bem: com crise e tudo encerrou seu ano fiscal com um lucro líquido de US$ 149 milhões e deverá transportar 68 milhões de passageiros em 2009. Ah, sim, O’Leary é o empresário de maior sucesso na Irlanda.

Não que maus-tratos de companhia aérea sejam novidade para nós, pois num mercado cartelizado cada player joga como bem entende e o consumidor que se dane. Mas agir assim num mercado competitivo como o europeu é outra coisa... e dá certo.

(Post feito a partir de edição de reportagem da Folha de São Paulo, edição de 5 de setemebro de 2009)

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Os hippies da comunicação começam a aparecer


Recomenda a leitura desses dois excelentes posts do blog Estalo, que criticam o papel social das marcas e a maneira artificial/dissimulada/hipócrita com que elas se relacionam com as pessoas:

Marcas e o Lair Ribeiro dentro delas (e tudo bem) - Rapha Barreto, diretor de planejamento da DPZ

Política e marcas - por vezes o cheiro é o mesmo - Werner Iucksch, diretor de planejamento da Heads


P.S.: Uso a expressão "hippies da comunicação" de forma positiva, sem o peso do preconceito histórico ilustrado muito bem pela imagem acima.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

O lado falso da vida


Para nós, planejadores, contar boas histórias é uma habilidade muito valorizada. Mas certamente não contaríamos essas histórias para nossos filhos dormirem. Isso me leva a crer que a expressão "história para boi dormir" nasceu em um brainstorming.

Você é dono de seu próprio futuro?

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Entre a cruz e a espada

Se um dia você já sonhou que poderia mudar o mundo com boas idéias, por favor leia esse texto. Se você nunca sonhou com isso, talvez a leitura lhe possa ser interessante.

Acho que todo publicitário passa por fases onde se questiona sobre a relevância social da própria profissão. A relevância existe, mas na maioria das vezes ela é negativa. O que vou falar agora não é comprovado por pesquisas, mas acredito que em 95% dos casos as marcas mais tiram das pessoas do que dão. A ideologia por trás da propaganda é vil e suja. E não me excluo dessa triste realidade. Muitas vezes já me peguei resolvendo "problemas de comunicação" que provavelmente geraram algum tipo de frustração ou lesão em pessoas de bem. Não porque eu sou mau, mas porque é assim que as coisas são. Na luta pela sobrevivência, é o nosso ganha-pão versus o do próximo. Pense bem. Você provavelmente já esteve na mesma situação.

Sempre fui um jovem preocupado com as questões sociais, um defensor de condições mais igualitárias e do respeito ao meio-ambiente. Mas o tempo foi passando e as coisas foram mudando. Há aproximadamente cinco anos, quando me mudei para São Paulo, acabei sendo envolvido pela roda viva do capitalismo selvagem. Não estou culpando a cidade, mesmo porque todas as outras querem ser iguais a São Paulo um dia. Culpo a mim mesmo por ter me deixado levar por suas promessas de fama e dinheiro.

Parece papo de esquerdista revoltado, mas nem politizado eu sou. Peço apenas mais um pouco de paciência, pois vou chegar ao ponto central desse post.

Interpreto esse conflito pelo qual passo (e já passei outras vezes) da seguinte maneira: ele significa que algumas atitudes que minha profissão me faz tomar negam alguns valores muito fortes em minha vida, e minha essência (ou seja lá o que for) teima em aceitar. Em ocasiões anteriores, engoli seco e segui em frente. Agora começo a perceber que não adianta fechar os olhos para o problema.

Mas como combater algo que está arraigado visceralmente em nossos job descriptions (puta merda, como odeio essa expressão!)?

Você estimula a compra de um carro mesmo o seu só dando problemas. Você estimula o uso de cartões de crédito e débito mesmo seu limite estando estourado. Você estimula o desejo de uma criança por um refrigerante mesmo tendo um filho que transborda ingenuidade. Você estimula a adesão a uma operadora mesmo sendo mal tratado sempre que precisa recorrer ao seu call center. Você estimula o consumo mesmo tendo consciência dos males que ele gera em nossa sociedade.

Quando eu digo você, também estou dizendo eu. Será que um dia nós vamos dar a isso a importância que deveriamos dar?

Não é de hoje que as marcas investem cada vez mais em marketing e menos em produtos e serviços. Mas vamos reclamar de que, não é mesmo? Isso garante nosso sustento. Por outro lado, prejudica milhares de pessoas como essas aqui, aqui e aqui (cliquem nesses links, é revoltante).

O pior é pensar que esse é o motivo pelo qual viramos noites e abdicamos de nossa qualidade de vida.

Toda essa reflexão foi bastante introspectiva, e me afastou do Promo Planners por um bom tempo. E hoje havia decidido abandonar o barco. Mas escrevo este post justamente para dizer que não vou mais fazer isso.

O fato é que cansei de escrever sobre o mercado. Essa metalinguagem do desprezível deixou de fazer sentido para mim. A cobertura do festival de Cannes sugou minhas últimas forças. Apesar de alguns seminários muito inspiradores, fui obrigado a conviver com a escória da propaganda mundial (e quando digo escória, me refiro aos egos de publicitários que pensam ser estrelas, mas cujo brilho não vai além de sua constelação - são eles que alimentam o lado negro da força).

Se é assim, por que não vou deixar de escrever no Promo Planners?

Porque infelizmente (ou felizmente) essa é a minha profissão. É o que eu sei fazer. Não pretendo me tornar um artesão e fixar residência em Trancoso. Provavelmente darei meu último suspiro na poluição intragável de São Paulo. Se tiver sorte, às margens do Rio Tietê. :)

Esse sorriso foi para mostrar que não estou revoltado. Mas já que estou coberto de merda até o pescoço (imagine se eu estivesse revoltado), vou tentar produzir adubo orgânico. Porque sei que se eu desistir, outro ocupará meu lugar. E talvez ele pertença ao lado negro da força.

A partir de hoje, utilizarei esse canal para escrever sobre o papel que nós, planejadores, podemos exercer para tentar construir um mundo melhor.

E não estou falando do lado Coca-Cola da vida. Refiro-me a ações que efetivamente agreguem algum valor relevante para a vida das pessoas com as quais tentamos nos comunicar. Com toda a humildade do mundo, tentarei inspirar atitudes que tornem nosso ofício um pouquinho menos deplorável.

Percebi que não posso gritar aos sete ventos que vivemos para produzir lixo atômico se não tentei fazer nada para mudar isso. Reclamar é fácil. Fazer não é tão fácil assim.

"Planning for good"? Não. Minha pretensão não é mudar o mundo (deixo essa para o Kuat). Ficarei feliz se conseguir trazer algum benefício real para a vida dos 30.000 homens/mulheres, AB, 18-34 anos, provavelmente residentes de São Paulo e Rio de Janeiro - doce ironia.

Por isso mesmo, passarei a destacar idéias que geram esse benefício, e a criticar de forma destrutiva idéias sem valor que nasceram de egos imbecis. Mais que isso, buscarei sempre que possível iniciar um diálogo produtivo com a finalidade de refletirmos sobre o poder que temos como estrategistas de marcas.

Sei que, no furor do dia-a-dia, posso acabar cedendo às exigências egoístas das grandes corporações (e até mesmo da agência, por que não?). Mas não farei isso sem lutar. E quando a recompensa chegar, mesmo ela sendo pequena aos olhos dos descrentes, comemorarei com a intensidade que a vitória dos valores humanos merece.

Talvez você não quisesse ler isso. Talvez você não merecesse ler isso. Talvez você não devesse ler isso. Mas agradeço a você por ter lido. E ficarei ainda mais grato caso você comece a aplicar seus valores de vida no seu dia-a-dia de trabalho.

Não somos nós que devemos nos adaptar ao ambiente corporativo. São as corporações que devem se adaptar ao nosso ambiente. Afinal, somos pessoas. E se formos fiéis a nossos valores, conseguiremos mais respeito para mais pessoas.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Cidade Limpa?



Semana passada ví isso na esquina da Faria Lima com a Gabriel Monteiro da Silva.
Fiquei tão abismado com a cara de pau que esquecí de fotografar.
Hoje, o bom baiano Jonas Fortes passou pela mesma indignação mas teve a perspicácia de fotografar.
Revogaram a lei?
Estão mais preocupados com o cigarro?
Ou o pessoal do Habib's é cara de pau mesmo e pronto?