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sexta-feira, 13 de junho de 2008

A novilíngua não é uma nova língua (ainda)

Animado pelos comentários dos Brunos (Panhoca e Scartozzoni) ao post “Novilíngua”, volto ao assunto para tratar do meu próprio quintal, a Redação.

Enquanto a direção de arte, por sua expressão predominantemente imagética, acompanhou as transformações da mcluhaniana Galáxia de Gutemberg para aquilo que podemos chamar de iconesfera (ou videoesfera, como querem alguns), o mesmo não ocorreu no mundo das palavras.

Quem consultar os anuários de propaganda dos anos de 1970 verá como é significativa a participação de anúncios all type e outros quase isso, nos quais a imagem era um mero apêndice no approach. Ainda se estava sob o domínio da oralidade, na qual a criatividade estava na formulação de chamadas que não fossem meros “anúncios”, mas engenhosas, transversas e instigantes maneiras de dizer que o suco agora tinha uma versão com sabor de limão.

Esse tempo correu alguns séculos nos últimos 30 anos. E-mail x carta; processador de texto x máquina de escrever; celular x telefone fixo. Significativamente quando a comunicação pela palavra ficou mais fácil e rápida, aí é que a linguagem sofreu sua maior transformação. Mas essa transformação, embora percebida, ainda não chegou aos ambientes que elaboram a comunicação pela palavra.

Não estou insinuando que deveríamos começar a redigir com vc, eh, bjs e :-). Um texto que tenha a missão de explicar, e não apenas de motivar, por certo ainda terá que ser escrito à moda antiga. Mas cada vez mais vejo sinais de que a maneira como lemos (em blocos, não letra a letra ou palavra por palavra) de certa forma precisa ser, será ou já está sendo incorporada à escrita.

Por enquanto, a supremacia da imagem dá conta da comunicação sozinha, como posso ver nos trabalhos fantasmas que os candidatos a direção de arte e mesmo a redação colocam em suas pastas: uma bela imagem em página dupla com um título em corpo 8 junto ao packshot. E fica muito bom!

No caso do hipotético anúncio do suco que citei acima, hoje, no lugar do título “sacado”, teríamos uma imagem que conotasse refrescância, toda matizada com tons de um verde cítrico, com uma pequena assinatura ao lado do packshot do produto: “Agora com sabor limão”. E acho mesmo que ficaria muito bom.

Sei que a função de um redator numa dupla de criação não é apenas a de redigir, bem como a do diretor de arte não é somente a de leiautar. O produto de ambos, como de resto da profissão, é gerar idéias que serão comunicadas com mais ou menos palavras ou imagens. Com esse post apenas quero, pretensiosamente, provocar uma reflexão sobre o ato de escrever hoje, contemporaneamente. Há como, até para ser eficaz, diminuir o delay entre a linguagem viva da rua e da web e a formal com a qual nos comunicamos oficialmente? Fica o repto. Por enquanto, vale o comentário do epigrama:

No tropeço de vírgulas,
a vida caminha,
torta por linhas certas,
abrindo parágrafos,
períodos,
breves alguns,
prolixos outros,
em busca do mesmo ponto,
o final
.

quinta-feira, 12 de junho de 2008

Virais que giram mas não viram

Quem lê o Promo Planners desde o início talvez se lembre do meu primeiro post (ah, vai, não faz tanto tempo assim), em que eu dizia que viral não se faz: viral vira.

E, pra virar, precisa ser parte de um todo bem planejado e construído.

Anda mais fácil fazer virais virarem?

De outubro pra cá o mundo mudou tanto?

Nah.

Virais que viram são parte de uma comunicação bem construída. Era e é assim.

Acontece que, à medida em que vamos ficando mais e mais familiarizados com todas (ou quase. Quem consegue?) as ferramentas que temos à disposição, a coisa vai saindo mais naturalmente. E vamos acertando mais vezes.

E aí acontece o quê? Viramos macacos velhos. Quando aparece um vídeo com cara de viral, a expectativa é saber de quem é. Mas o impacto é muito menor. A gente já sabe que é viral.
Ou não?

Dois exemplos da última semana:

Exemplo 1:



O que era?
Viral para promover o filme "Wanted", baseado nos quadrinhos de Mark Millar e J.G. Jones, em que um cara sempre explorado pelo chefe não agüenta mais a vida de Dilbert, joga tudo pra cima e vai parar em uma sociedade secreta, em que descobre poderes que jamais imaginou ter.


Exemplo 2:



O que era?
Viral para os acessórios para celular com bluetooth da Cardo Systems.

Me diz que você não sacou que era viral e ficou esperando só pra ver de quem? Eu mesma li em trocentos lugares o povo todo já falando "é viral".

A expectativa de só esperar pra ver de quem é foi suficiente? Pra mim, não.

Mas... sabendo disso, podemos prever o efeito-anti-uau e dar continuidade de alguma forma.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

Novilíngua

A comunicação sempre foi algo dinâmico, por mais lenta que tenha sido sua movimentação no passado.

Já é mais que sabido que novas tecnologias impactaram o modo de falar, fazendo com que tivéssemos várias linguagens. Foi assim com o telégrafo, que exigiu uma linguagem cifrada (Parabéns Aniversário Felicidades Tio Nelo), isso num tempo de cartas copiosas. Depois o telefone, agora a Internet, o SMS e que tais.
O próprio Macunaíma quando chegou a São Paulo escreveu (?!) para sua aldeia dizendo ter encontrado um povo engraçado que falava uma língua e escrevia outra.

O poder da linguagem foi reconhecido não apenas como veículo de comunicação, mas como elemento formulador de raciocínio, tal como dramatizou George Orwell em 1984, com o Grande Irmão criando uma nova linguagem (novilíngua) para dar novas conotações a conceitos e idéias.

Vadiando na web deparei-me com o caso ilustrado a seguir.
Numa ação promocional de Nivea na Índia, dirigida a adolescentes e jovens, promovia-se um concurso informal de beleza pela Internet. As meninas postavam sua foto e respondiam a um pequeno questionário com o objetivo de receber votos. O que me chamou a atenção não foi a ação, mas a forma como as participantes responderam ao questionário, que descrevo com toda a fidelidade:

Sreyoshi Pal – 20 anos
About Me
I am a simple gal... i luv dreamin about all impossible things........i luv to shop....n i luv my family like crazy...n my wish list wil never end....N live life queen size...

My Secret
To be famous...........someone, somebody remembered forever!!!!!!!!

My Passion
CARS!!!!!!!!!SPORTS !!!!!!!!!!!!!!!!MOVIES!!!!!!!!!



Nisha Gilani – 16 anos
About Me
lOvEs To LiVe LiFe qUeEn SiZe....

My Secret
vOtE 4 mE dEn IlL TeLl U.....hehe

My Passion
oBvIoUsLy A cRowN iN dIS cOnTeSt...hElP mE wIn diS gUyZZZZ

Curiosamente, a escrita incorpora apêndices gráficos como reforço daquilo que se quer expressar: reticências alongadas, farto uso de sinais gráficos, grafia do som da palavra (luv, por love; gal por girl) e por aí vai.

Embora já haja dialetos por faixa etária, isso não significa a eclosão de uma nova Babel. Cabe apenas ficarmos atentos ao movimento e talvez isso (a observação) ainda sirva para que possamos dar eficácia às nossas ações promocionais.

segunda-feira, 9 de junho de 2008

A maluquice dos outros ainda pode ajudar algum job seu

Eu sou do tempo em que, para um sujeito se realizar na vida, bastava ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro.

Hoje, existem variações. Você pode adotar uma criança etíope não-órfã, salvar cem árvores abrindo mão de usar papel higiênico e ser um Big Brother.

Deixar um legado, definitivamente, não quer dizer mais a mesma coisa. Ninguém (ou quase ninguém) está preocupado com a qualidade da obra. Uma foto impressa em uma sacola de praia tá valendo.

Gravanity é a tendência atual das pessoas de ter uma vaidade grande o suficiente para sentir necessidade de deixar alguma coisa criada por si mesma para o domínio público. Estou escrevendo sem nenhuma pedra na mão, já que tenho 3 blogs: esse aqui, esse e esse.

Você pode não curtir, mas as pessoas gostam de bonecas produzidas sob encomenda com as mesmas características da futura dona, historinhas e desenhos de criança transformados em livros e pessoas produzindo material do tipo "Matt" e "Noah".

Esse tipo de coisa e tudo o que tem no youtube já faz parte de nossas vidas e de nossos jobs, não é?

Mas não se acostume, porque a cada dia surgem mais malucos. Por exemplo, a onda no Japão (e já faz anos) são os romances de celular (leia matéria completa do New York Times).

Romances de celular são histórias escritas através de SMS. Essa garota da foto, chamada Rin, tem 21 anos e, durante 6 meses, escreveu seu livro, via SMS, nos trajetos para o trabalho/casa e tempinhos livres aqui e ali.

Resultado: sua história virou livro físico (sem adaptações de linguagem), capa dura, 142 páginas e foi o quinto romance mais vendido de 2007 no país. Não entre os outros romances de celular: entre todos os livros normais mesmo.

As tecnologias vão sendo incorporadas ao Gravanity e abrindo portas para novas ações no nosso dia-a-dia de planner. Outro exemplo: Twitter já virou forma de produzir "literatura" também, veja esse blog.

Tem gente que disputa campeonato de resolver cubo mágico com os pés e tem gente que gasta o dedão escrevendo livros por SMS.

Tem cliente / produto / job que exige que a gente esteja completamente a par dessas formas de expressão, não tem? Então, gaste os seus dedos conhecendo o que os malucos andam fazendo por aí. Metade disso ainda vai te ajudar em vários jobs. Fora que, fala sério, é divertido pacas!
: )

quinta-feira, 5 de junho de 2008

Dia do Meio Ambiente

Estava eu ignorando o Dia do Meio Ambiente quando dou de cara com essa notícia (de ontem):

A Estrela e a petroquímica Braskem acabam de lançar o Banco Imobiliário Sustentável. Não, nele você não tem bônus em pontos para que alguém sustente você e te mantenha longe da falência. Mas, "ao invés de retratar um cenário urbano, as casas do tabuleiro apresentam reservas naturais como Rio São Francisco, Pantanal, Serra da Mantiqueira, Chapada dos Veadeiros e locais de produção de cana-de-açúcar como Ribeirão Preto (SP), Três Lagoas (MS) e Teotônio Vilela (AL)".

O jogo ainda tem todas as peças produzidas com o polietileno verde da Braskem (o primeiro produto desse tipo com essa matéria-prima), que "contribui para a redução do efeito estufa ao absorver e fixar gás carbônico (CO2) da atmosfera". O tabuleiro, a caixa e as cartas são produzidos com papel reciclável, é claro.

Fiquei imaginando que parte das vendas poderia ser revertida para apoiar algum projeto ambiental, já que a proposta é, em essência - e conforme divulgado - educacional.

Mas aí vi a ação de divulgação e esqueci desse pensamento, porque a coisa toda é muito bacana: a partir de hoje (e durante todo esse fim-de-semana), 3 tabuleiros gigantes foram colocados em um local de convergência (a marquise do Ibirapuera, SP), para que as pessoas pudessem jogar fazendo as vezes de pecinha. A-m-e-i. E vou passar por lá no finde para ver de perto.

Para quem quiser jogar a versão normal, também haverá mesas com o jogo real à disposição.

A divulgação com os famosos e fundamentais argumentos racionais se dará nos PDVs, com folhetos falando do jogo e sobre a parte da sustentabilidade diretamente relacionada a ele.

Quer ir também?
"BANCO IMOBILIÁRIO" GIGANTE E ECOLÓGICO
Onde: Marquise do Parque Ibirapuera ao lado do MAM
Quando: de 5 a 8 de junho, quinta a domingo, das 11h às 17h
Quanto: Entrada franca
(vi aqui)

Update: Vi no Blog de Guerrilha que a ação foi realizada em outros lugares e tem até um site só pra ela. Cool.


quarta-feira, 4 de junho de 2008

Referências & Fontes

As fontes de informação de todos os Planners são as mesmas. Elas estão aí, disponíveis, nos cercando, se escondendo, mas estão ao alcance das minhas mãos e das suas.

O negócio é: como eu faço para que todas essas um milhão de informações a que temos acesso todos os dias faça o MEU trabalho mais eficiente?

Por isso, descobrir um site bacana e guardar o link a sete chaves é besteira. Primeiro, porque, se o site é mesmo bacana, dali a pouco está bombando, quer você queira, quer não. E segundo que, se eu e você lermos a mesma notícia, provavelmente faremos uso dela de modo diferente, em momentos diferentes.

É tudo uma questão de repertório. E timing.

Então, o que faço é abrir o mais possível meu leque de fontes e referências. Mas reduzir o bastante para conseguir zerar o Google Reader pelo menos uma vez por semana.

Ninguém consegue ler tudo todo dia. Então, aprenda a filtrar, priorizar e se disciplinar. E, assim, divirta-se com a novidade da nossa barra lateral de 1.001 utilidades: todos os sites e blogs que nossos leitores apontaram como preferidos na pesquisa mês passado. E ainda divididos entre os "top 10" (na ordem de preferência) e os outros, em ordem alfabética.

Enjoy
;)

sábado, 31 de maio de 2008

O Encontro de 2 Mundos

Mais um livro que entra para o Pequeno Guia de Livros do Promo Planners (e que você acessa aí na barra lateral): "Internet: O Encontro de Dois Mundos - Crônicas Provocantes Sobre a Nova Internet".

São 56 crônicas, de 44 autores, todos profissionais brasileiros ligados diretamente a dois mundos: Comunicação e Tecnologia.

Dois colaboradores do Promo Planners estão entre os autores:
o Fabiano Coura assina "As Marcas Mais Valiosas do Mundo te Surpreendem?" e o Neto, "A Informação Quer Ser Sua, Mas Você Precisa Pegar".

Quarta-feira agora, dia 04, a partir das 19h, tem lançamento na Fnac Paulista com a presença dos autores e palestra do Gil Giardelli, autor da crônica "Web o Quê? Quando a Cybercultura Se Transformou em Cyberespiritual".

Você pode comprar aqui e conhecer todos os autores aqui, no site do livro.

Veja como foi a palestra de ontem:

A palestra do Marinho, ontem, foi realmente imperdível. Vou tentar colocar aqui os pontos mais bacanas para que você, que não pôde estar lá com a gente, saiba como foi.

Em primeiro lugar, muito obrigada aos nossos 5 leitores, que levaram seu interesse, bom papo e simpatia - além de coisinhas gostosas para a mesa: valeu, Dea ;)

Aliás, estou disposta a pagar uma altíssima soma em dinheiro para que essas 5 pessoas se submetam a um hipnotizador e apaguem de suas mentes o momento “Robi pagando um mico que vale por 6 mil promo pérolas”. Explico: o Marinho, que é uma simpatia (já era fã, agora virei fã número 1), me chamou para fazer a abertura da palestra. Mas me chamou na hora. Tipo “vem aqui”. A pessoa desprovida de noção aqui… foi. E não sabia o que falar, portanto vocês imaginem o tamanho de mico que paguei. Foi o mico irmão gêmeo do king kong.

Ok, passado esse início pífio, começou o show: o Marinho falou sobre como nós, brasileiros, não conhecemos o nosso próprio país. Por exemplo: você sabia que o topo da pirâmide social é formada pelos 14% dos brasileiros que têm renda familiar média mensal de R$ 3.400 ou mais?

Veja bem, renda familiar é a soma de todas as fontes de renda de uma família. Pois é. Você, quando pega um job de produto voltado às classes A e B não imagina o povo que freqüenta o Shopping Iguatemi e o Pão de Açúcar? E você sabe quem é BC? Então veja esse vídeo que ele nos mostrou e segure o queixo.


Alguns dados que nos ajudam a formar o quadro “com quem estamos falando” quando pegamos um job voltado à classe C:








Em suma: há alguns anos, a Classe C tinha como aspiração a compra de supérfluos. Ou seja, quando sobrava um dinheirinho, era feita a sonhada compra de iogurtes, chocolates de melhores marcas, algum cosmético, produtos de limpeza de melhor qualidade etc. Hoje, há o acesso a tudo isso e, portanto, as aspirações são outras: não só ter um fogão, mas ter um fogão com acendimento automático. Não ter uma geladeira, mas ter uma geladeira dúplex e/ou com dispenser para água na porta.

Quem pensa que baratear os produtos é acertar os desejos da Classe C está fadado à falência, creio eu.

Leia também o post de ontem do Marinho no blog dele e no Blue Bus, que foram citados na palestra e ajudam a compor todo esse quadro.

Até a próxima quando, prometo, pensarei 30 segundos antes sobre alguma coisa para falar na abertura, hahahaha Low point, Robi. Low point...

terça-feira, 27 de maio de 2008

Você é a empresa

Ainda em algum dia de 2007 eu me deparei com esse post bastante interessante no blog da PSFK. É a entrevista com o idealizador da Premium Cola, um refrigerante alemão cuja companhia que o fabrica é totalmente controlada pelos consumidores. Se você duvida, dá uma olhada nesse parágrafo:

"We don´t produce, we transport seldom nowadays, we hardly do anything ourselves than to steer the whole thing. But steering is essential. At Premium, every participant, which means every customer also, is able to view any info and co-decide on any issue, including my stock. For example, our bank account is viewable online to be checked daily by any customer. If I treat anyone badly, he/she might send a mail to all our mailinglist-readers from 50 cities right now, arguing to change matters or to lower my share of the company."

Quase um ano depois resolvi reler a entrevista e fiquei com um monte de dúvidas no ar:

- será que qualquer marca e empresa pode fazer isso?
- será que isso é real ou só um discurso?
- uma empresa de capital aberto, com ações disponíveis na bolsa para qualquer um, em tese não é parecido?
- o quanto o carisma do líder ou dono da empresa influencia nessas estratégias?
- esse é o futuro do capitalismo?
- governos democráticos, em tese, não deveriam ser assim?
- será que o setor privado vai guiar o setor público por meio dessa curiosa inversão de papéis?

Se alguém quiser arriscar uma resposta, o fórum está aberto. :)

terça-feira, 6 de maio de 2008

Micro Interações

Achei muito interessante essa apresentação do David Armano e resolvi compartilhar.
Ela fala sobre micro interações, uma tendência latente que não pode ser ignorada pelas marcas (e muito menos por nós). Ele defende a idéia de que vivemos na era da fragmentação, com pontos de contato infinitos, o que faz com que as marcas sejam a soma de todas as suas interações.

Essa é uma questão essencial, e nos obriga a pensar o marketing promocional no contexto da comunicação baseada na "economia da experiência". Veja a história toda:

domingo, 27 de abril de 2008

Post a Quatro Mãos

Apesar da Revista Exame estar comprada, marcada, separada e ao lado da minha bolsa, para ir trabalhar comigo amanhã, ainda não li a matéria de capa: O Novo Consumidor Brasileiro.

Mas vocês, que não ficaram 2 semanas desconectados, não têm que ficar agüentando meu delay cultural e profissional, por que, dessa vez, tive ajuda para postar sem tanto atraso. Rá!

Bom, mesmo dando uma olhada na matéria-aperitivo que tem no site da Exame, já dá pra ver claramente como é importante ficar íntimo de nossos amigos consumidores da Classe C. Por que, veja só: tem um estudo de especialistas lá que prevê que o consumo anual no Brasil vai subir, em 5 anos, de R$ 780 bilhões (2007) para R$ 1 trilhão (2012).

Não precisa ser muito esperto para concluir que o impulso maior no consumo está ocorrendo por causa da Classe C, que está emergindo, comprando e mandando ver no crédito com pagamento a perder de vista. E que, em 5 anos... você acha, sinceramente, que o ritmo será o mesmo? Claro que não. Todo mundo já vai ter comprado o que tinha que ter comprado e aí vai valer a marca, o discurso, a abordagem, o planejamento bem feito de comunicação.

Eu sou fã do Marinho (desse nosso Marinho também, mas agora estou falando do Marinho da BrandWorks) e, claro, adorei encontrar no blog dele um post sobre a matéria da Exame que fala com muito mais propriedade do que eu sobre isso.

Vale ir à banca e comprar a revista pra ler tudo (não é caro, não, pede reembolso, é material de trabalho) porque a matéria vai muito mais além do que falar sobre a Classe C. Ela traz as tendências de comportamento e analisa o consumidor brasileiro por 5 segmentos:

- o avanço das mulheres no mercado de trabalho;
- cada vez mais casais jovens sem filhos;
- número cada vez maior de pessoas que moram sozinhas;
- consumidores de meia-idade com renda alta;
- foco em uma vida longa e melhor.

Em resumo, caro promo planner: não perca!

Mas você queria saber mais sobre tudo isso agora mesmo e a Robi não leu a matéria ainda pra poder escrever além disso? Não tema! Não se desespere! Não mude de blog! Porque nosso leitor promoplânico César Lopes me mandou uma apresentação que ele fez, pra dividir com todos os promoplanners. O título? "O Retrato dos Novos Consumidores Brasileiros - Análise e adaptação da pesquisa publicada na Revista Exame de abril de 2008, em que é abordado os novos perfis e tendências de consumidores que mudarão o futuro da economia e do país".

Ebaaa!

Clique na imagem abaixo para ver a apresentação dele:

Super obrigada, César.
Valeuzão!
;)

terça-feira, 8 de abril de 2008

Os Hábitos de Consumo do Nosso Consumidor

Esse post não é bonito. Não é nobre. Não é socialmente responsável. Esse é um post baseado puramente em interesses financeiros frios e calculistas, escusos, horrorosos e capitalistas que... Pausa. Pó pará. Como você vê, já adiantei alguns dos possíveis comentários e críticas a este post. Sim, mesmo antes de começar. Então nem perca tempo. E - isso é importante - aguarde uns 5 jobs antes de meter pau, ok? Combinado? Se ele não for útil, você volta aqui e manda ver.

É que eu estava lendo no Blog do Marinho (não o nosso, o da Brandworks / Blue Bus) que não é à toa que a TV segue firme e forte e, apesar do Godzilla ter levado tiros aqui e ali, continua arrastando tudo pelo caminho. Uma pesquisa do Ipsos traz os seguintes números:

31% dos brasileiros leram um livro durante todo o ano passado.
20% dos brasileiros foram a um show de música em 2007.
6% assistiram a uma peça de teatro.

Isso considerando todas as classes sociais de modo à média ser equilibrada. Detalhe: a maioria das pessoas declarou que não pretende mudar de atitude esse ano.

Aí observei que 24% dos entrevistados das classes D e E declararam que não foram ao cinema em 2007 porque não há opções perto de onde moram. Que o consumo per capita de livros no Brasil é 1,8/ano. E que, obviamente, essa é a parte que todos consideram na hora de fazer um job e propor "coisas socialmente responsáveis", por assim dizer.

Exemplo: promoção de uma financeira. Público, portanto, da classe baixa, em dificuldade total de grana. Prêmio sugerido: bolsa de estudos.

A intenção é nobre. O resultado? Tocha!

No afã de ajudar e/ou parecer socialmente responsável, muita gente acaba amarrando o cachorro com lingüiça na hora de resolver um job. Gente: vai dar errado.

Quer saber por quê essa premiação do exemplo é tiro n'água? Eu te falo: porque não é isso que o público-alvo quer. Ponto. Enter. Perdeu a concorrência.

Me diga: o problema do baixo índice de leitura do brasileiro é a dificuldade de acesso aos livros? A carência de bibliotecas? O preço dos livros?

Respondo: Também. E "também" é diferente de "sim". A dificuldade de acesso contribui para a perpetuação da falta de hábito de consumo. Um hábito de consumo que existe e que não caberá a mim ou a você, em um job, resolver.

Não se esqueça que, em um país do tamanho do nosso, 68% da população é de analfabetos funcionais. Muitos com diploma, vale acrescentar. Então, de que adianta dar um livro na mão de alguém que não é capaz de entender o que está escrito, seja o nível de leitura que for?

Estou dizendo que isso não é problema meu ou seu e que, portanto, se não vende, não proponha? Nã nã ni nã não. Estou dizendo que uma coisa é sugerir uma ação/evento que pareça socialmente responsável e outra é um que realmente seja. Muito cuidado. Muito mesmo.

Ache o problema: o objetivo da empresa/produto/marca é oferecer algo que seu público deseje para vender ou é contribuir diretamente para o incremento do índice de leitura, por exemplo, melhorando a educação, sabendo que isso vai reverter em resultados a looooongo, longo prazo?

O que estou dizendo é que não adianta propor a fundação de uma instituição de caridade se o cliente só quer desovar estoque.

Estou dizendo que não adianta querer fazer feira de livro na Caravana Coca-Cola, por exemplo. A Caravana Coca-Cola é uma grande sacada e dá resultado positivo para a imagem da marca porque leva entretenimento para as classes D e E, que mais sofrem pela falta de acesso. Mas é um entretenimento de fácil absorção. Atividades neurônio-free. Sim, é duro, é cruel, é feio, mas, sorry, that's business. Não adianta eu sair promovendo o book crossing nas favelas. Isso não ajuda. Nem à cultura e nem às vendas.

Sem acesso aqui, sem hábito de consumo ali, sem cinema, livro, teatro, shows e exposições de arte, o brasileiro médio tem a TV como fonte de informação e diversão. Não é à toa que a TV segue forte e também não é à toa que ela segue cada vez mais rasa culturalmente. É isso que vende.

Enfie o pé no capitalismo. Largue os pudores. É só manter as raízes, mas trocar algumas folhas. É preciso. Seu trabalho é esse. Vender.

Não, não exagere. Eu não disse "se vender". Tudo tem sua hora e lugar. Ache o problema DO JOB e ache a solução PARA O JOB. A solução do problema DO BRASIL é outro post. Em outro blog.

Aqui, mais dados sobre os hábitos de consumo culturais do brasileiro.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Palavras-Chave

No meu blog Céu, uma vez falei sobre minhas estranhas manias-com-um-pé-no-TOC, do tipo somar placas de carro e depois buscar equivalência no alfabeto. Hoje, um momento histórico: descobri mais uma! Uma mania-TOC de Planner: procurar a palavra-chave que define uma situação, década, job, e-mail, história, maluquice, chefe etc.

E o que você tem com isso? É que, amigo promo planner, em momento de piração, hoje, pensei o seguinte:

Quando eu estava na faculdade, tudo o que a agência de propaganda precisava fazer era uma campanha que chamasse a atenção do consumidor. As palavras-chave desta época eram “sacada criativa”.

10 anos depois, agências de propaganda e de promoção passaram a ter, como palavra-chave, um número: “360”. Era preciso garantir a exposição colocando uma mensagem única e relevante em todos os canais de comunicação.

E a palavra-chave hoje, qual é?

Bom... antes, quero dizer que vejo as agências BTL, atualmente, divididas em 2 grupos:

- O primeiro é o grupo dos jobs: aquelas agências que ainda se consideram “a agência de promoção” dos seus clientes. Ainda acham que ganham só por entregar os jobs de um dia pro outro e trabalham sob a seguinte lógica:

Cliente = professor, Agência = alunos, job = lição de casa.

Só que Resultado = baixo comprometimento, baixo rendimento e jobs, não contas.

- O segundo grupo é o grupo das contas: aquelas agências que substituíram o achômetro pelos dados, que estão antenadas em termos de canais e fornecedores - para não inviabilizar o possível e não criar o impossível - e conhecem profundamente os produtos, marcas e objetivos de cada um de seus clientes.

O papel do planner que trabalha nas agências de contas é o de construir a marca: pegar o briefing, definir onde quer chegar e contar uma história até ali.

Ao planner das agências de jobs resta juntar os parágrafos muitas vezes desconexos anotados pelo cliente aqui e ali para tentar montar uma história que faça nexo.

A palavra-chave de hoje é “storytelling”. Para construir marcas é preciso ser especialista em desenvolver formas de distribuir experiências ao consumidor. De conseguir engajamento. De criar uma história para fazer com que ele seja envolvido em cada um dos pontos de contato. E crie vínculos com a marca.

Aproveito para dizer: Esse é o seu trabalho.

E para perguntar: É isso o que você anda fazendo? Quem olha de fora acha que você confia na sua agência ou que sua agência confia em você?

Se sua resposta não for "os dois", mude. Não de emprego, de pensamento. Se uma coisa levar a outra, melhor. A palavra-chave do seu novo modo de pensar deve ser "realização". Que tal?

sexta-feira, 14 de março de 2008

cinema na telinha

Acabei de escrever um post no meu blog pessoal e depois fiquei pensando que talvez ele se encaixasse melhor aqui.

Paciência. Quem tiver interesse no assunto clique aqui.

E você? O que pensa sobre o futuro do cinema, filmes no celular e como o marketing promocional pode navegar nesses mares?

como laçar um trendsetter

Você acabou de receber um briefing cujo objetivo é fazer um evento musical para falar com jovens de 18 a 24 anos, trendsetters, "moderninhos", do tipo que influenciam seus amigos???

Não se preocupe. Nos últimos anos todo mundo recebeu um briefing desses, e eles não param de chegar. A Data PromoPlanners chuta que cada agência deve receber, em média, 1 por bimestre. Somem, subtraiam as concorrências, e aí dá para ter uma noção de quantas empresas querem falar com esse público.

Se isso é bom ou ruim, certeiro ou míope, não vou discutir nesse post. Na verdade só quero dar uma ajuda no caso de música "moderna" não ser sua praia, ou de você precisar se atualizar sobre as bandas e artistas que estão fazendo a cabeça desse público.

Se esse for o caso sugiro o blog Dominódromo, do casal Fernando (que também é um promoplanner!) e Karen, dois grandes amigos. Um verdadeiro compêndio de música independente, ou "indie", sobretudo rock e eletrônica.

Bookmark já!

terça-feira, 4 de março de 2008

Música é prêmio?






A nova edição da promoção
Pepsi Stuff, que usa códigos nas tampinhas como moeda para compras no site da promoção em parceria com a Amazon e entre os prêmios para serem comprados, oferece mais de 100.000.000, isso mesmo cem milhões, de downloads de música.

Vendo essa promo, me surgiu uma questão: será que música é prêmio?

Qual o planejamento ou criativo que não sugeriu ao menos um vez como prêmio o download de músicas?

Prêmio precisa ter algum tipo de valor para estimular a participação, alguma relevância para despertar desejo e principalmente, exclusividade.
Em teoria, download de música é um prêmio voltado para o público jovem. Ou seja, usuários de P2P, torrent, rapidshare e outros meios fáceis de download de música.

Por que razão o “feliz ganhador” entraria em um site, forneceria seus dados, digitaria o código da embalagem e esperaria pelo download de uma música?
A não ser que seja um lançamento, de uma banda muito conhecida e desejada. Mas logo após o primeiro download, o arquivo já está na mão do usuário e ele pode e vai compartilhar à vontade e seu prêmio perde o valor.

Com certeza você já pensou no aspecto legal do download. Mas ser legal (dentro da lei) não torna um prêmio legal (cool). Talvez nos EUA ou na Europa isso ainda tenha algum valor, mas por aqui ninguém dá bola para isso. E pelo visto por lá, essa valor vai desparecer. O guru Chris Anderson, aquele da cauda longa, já apresenta há algum tempo a teoria FREE, que dá titulo ao seu novo livro, que basicamente inverte o mercado como conhecemos hoje. O que é pago será grátis e o que é grátis será pago. Se música, hoje, ainda é um produto pago, em breve ela será gratuita. E legal (dentro da lei).

Para mim, download de música não é prêmio. E para você?

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Quando MacLuhan chorou

No início a mídia de massa era fundamentalmente um suporte para a transmissão de informações e de idéias e sua forma consagradora foi e continua sendo o jornal. A chamada imprensa divulgava essencialmente fatos e sua interpretação, mesmo havendo uma participação marginal de outros conteúdos, como os folhetins (no passado) e os passatempos.

Esse quadro mudou com a chegada do rádio e, posteriormente, da televisão, mídias nas quais o fato jornalístico passou para segundo e, às vezes, último plano.

Perdendo (ou tendo diminuído) seu caráter noticioso, as mídias eletrônicas dedicaram-se fortemente ao entretenimento, ganhando uma audiência tão expressiva que a indústria da propaganda acabou por elegê-las a plataforma ideal para a comunicação do marketing.


A concentração das verbas nos meios eletrônicos, porém, levou essa mídia a uma situação paradoxal na qual o rabo pôs-se a correr atrás do cachorro. A TV, em particular, passou a desenvolver suas atrações como produto para captação de propaganda. Assim, fomos da propaganda no intervalo da programação para a programação no intervalo dos comerciais. Essa situação provocou inclusive um comentário bem-humorado do ator Selton Mello, que justificou sua ausência da programação de TV, em contrapartida a uma alta freqüência de sua imagem em comerciais, dizendo que dessa forma ele ia direto ao ponto atingindo as grandes massas.


Diferentemente do panorama internacional, temos uma TV aberta cuja qualidade da programação atende às necessidades de entretenimento de parcela esmagadora da população. Esse fator, junto à modéstia do poder aquisitivo, explica a baixíssima penetração da TV por assinatura, justificando ao mesmo tempo a resistência da TV no Brasil, enquanto lá fora essa mídia perde em audiência e em capacidade de convencimento.


Hugh Hewitt, em seu livro Blog - Entenda a revolução que vai mudar seu mundo, fala na decadência do que ele chama de “mídia hegemônica”, que se não chegou ainda para nós na forma como se apresenta a esse jornalista, não deixa de servir de alerta ou, no mínimo, de ponto a se considerar como novas oportunidades de comunicação below the line para o marketing promocional.


Todas as fichas estão sendo depositadas na incrível máquina de produzir mídias que é a Internet, embora essa fertilidade midiática leve também a uma dispersão com a qual ainda não sabemos lidar. É da natureza da comunicação, tal como a conhecemos, falar para concentração de públicos. Note como grande parte da energia despendida nas ações de comunicação está exatamente em aglutinar o público.


O mundo da web, tudo indica, é a nossa terra prometida, mas também é um território em aberto ao qual se lançam deslumbrados, visionários, desesperados e futuristas da propaganda, do marketing direto, do marketing promocional e até mesmo arrivistas exibindo carteirinha de web marketing (não confundir com o corretíssimo web design!).


O importante é que as placas tectônicas da comunicação estão se mexendo e já nos encontramos no epicentro de um bem-vindo terremoto que irá redefinir a paisagem das mídias institucionalizadas e das não-formais que brotam a todo instante. E é bom que seja assim; a matriz da comunicação tal como a conhecemos remonta aos sumérios há distantes 3.000 a.C.; daí para frente o que houve foram aperfeiçoamentos lentos e arrastados, com grande defasagem em relação ao desenvolvimento tecnológico produzido pelo homem no mesmo período. A invenção do tipo móvel por Gutenberg e a eletricidade – possibilitando a criação do telégrafo e da eletrônica - foram bolhas de progresso que, apesar de exceções num processo que tem se comportado de forma linear, mostrou o poder que a comunicação tem em transformar a própria civilização.


Vamos ligar nossos sismógrafos e ficar de olho no trêmulo balé de suas agulhas. Algo me diz que a aurora do século XXI entrará para a história como o momento no qual MacLuhan mordeu sua língua, e o meio, de tão plural, deixou de ser a mensagem.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Convergência cultural, a possibilidade esquecida.




Katia Bivanco, diretora de atendimento da Momentum Brasil, num de seus momentos updater, partilhou conosco um sugestivo vídeo da web que, acredito, foi extraído de um esquete de algum programa de variedades da TV japonesa (ver acima).

O quadro sustentava-se numa coreografia precisa baseada na arte de manipulação de títeres do tradicional teatro bunraku. Esse estilo de teatro de marionetes, que remonta ao Japão do século 16, utiliza mestres titereiros (três para cada boneco) que manipulam diretamente os bonecos sem o uso de mecanismos “invisíveis” como varetas e fios. Como ficam no palco literalmente agarrados aos bonecos, vestem-se de preto da cabeça aos pés e encenam à frente de um fundo escuro, de modo que em pouco tempo nos acostumamos à sua presença e não mais os vemos, só as marionetes e seu perfeito gestual e convincentes expressões faciais.

No quadro citado, essa técnica de expressão artística tradicional é utilizada para que se emule ao vivo o que só é possível realizar pelos meios eletrônicos como a câmera lenta e o recurso de retroceder a ação (rewind). O encantamento, portanto, está em trazer para o mundo real as possibilidades e até mesmo as limitações da narrativa virtual. Paradoxalmente, é o real que agora busca ser virtual.

Do ponto de vista estrutural, o esquete da TV japonesa é um caso exemplar de como construir o novo a partir de um conhecimento já sedimentado e, portanto, antigo ou não-novo, se quiser fugir do estigma do adjetivo. Talvez o grande trunfo da cultura japonesa seja exatamente o de não classificar como morto ou destinado a museus um acervo de conhecimento que, empregado com o que há de mais moderno, cria sinergia e faz surgir novas narrativas.

Soube que uma das últimas manias das adolescentes japonesas é acompanhar um tipo de novela desenvolvida para o suporte celular como mídia. Os capítulos são enviados como SMS. A novela/celular “Koisora”, depois do alto índice de audiência no meio mobile, transformou-se num livro convencional e vendeu um Paulo Coelho: 1,3 milhão de exemplares.

Novamente, mais que se buscar criar novos léxicos e sintaxes para cada nova mídia que surge, a convergência cultural promovida pelos japoneses parece-me algo mais adiantado, disponível e viável em escala de massa do que o Godot dos novos tempos, a convergência de tecnologias. Por outro e animador lado, a convergência cultural é uma demonstração clara de que, ao menos nesse campo, o homem sapiens vai à frente do faber, indicando-lhe o caminho.

Chamo a atenção para a utilização da cultura de um meio em outro como forma de potencializar os recursos fornecidos à exaustão pelas novas mídias que a tecnologia disponibiliza a todo instante. Não saber fazer isso é utilizar a cultura e o conhecimento para consumo imediato, perdendo-se uma fonte de energia criadora que poderia ser empregada para o desenvolvimento de novos approachs.

Um mal-humorado crítico de turismo francês (é, a França tem dessas coisas) afirmou certa vez que o Brasil é um país que foi da barbárie à decadência sem conhecer a civilização. Tirando-se o exagero da (boa) frase de efeito, isso diz muito do que fazemos ao jogarmos fora, a cada novidade colocada no mercado, tudo o que construímos até então por ficarem “velhas”. Caso exemplar dessa atitude de desperdício de capital de conhecimento é o que vem ocorrendo na formação dos diretores de arte que já começam a solar seus layouts eletronicamente, descartando o rico acervo de design gráfico que nos legou quase cinco séculos da Galáxia de Gutenberg. No entanto, quando um japonês coloca em seu liquidificador cultural 5.1 o conhecimento milenar de seu povo, gera um resultado plástico que as Archive de plantão registrarão para nós mimetizarmos e reproduzirmos a forma, já que nos falta a alma.

segunda-feira, 19 de novembro de 2007

Change the world or go home - PSFK

Hoje estava navegando pelo meu Google Reader, mais especificamente no feed do PSFK, site internacional de insights e tendências, quando me deparei com uma apresentação visualmente muito atraente, e com conteúdo interessante para planners e outros profissionais da comunicação (apesar de não ser nada muito novo para quem acompanha o trendwatching ou o WGSN):



Apesar da contextualização com o mercado estadunidense/europeu, creio que esse tipo de material seja muito importante para nos conectarmos com questões que estão sendo discutidas lá fora. Só assim podemos absorver informações importantes que podem ser readequadas e utilizadas em nossos jobs aqui dentro.

Afinal, para planners e criativos, um vasto repertório é fundamental.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

mania de manifesto

Não fiz nenhuma conta sobre o assunto mas acredito que de cada 10 briefings que tenha recebido nos últimos meses, pelo menos, vá lá, 7, pediram um "manifesto", "video manifesto" ou qualquer outra coisa que seja parecida com isso. Daqui a pouco qualquer sampling ou compre-ganhe terá um manifesto próprio.

Diretamente do Houaiss temos a seguinte definição para manifesto (pelo menos a que melhor se encaixa no caso): "declaração pública e solene, na qual um governo, ou um partido político, um grupo de pessoas ou uma pessoa expõe determinada decisão, posição, programa ou concepção".

Observação 1) Será que qualquer marca realmente tem algo a ser manifestado? Uma decisão? Uma posição? Um programa? Uma concepção? Duvido.

Observação 2) Mesmo assim, vamos supor que tenha vai. Mas essa concepção, esse programa ou seja lá o que for deriva de um sentimento das pessoas que constroem a marca, sejam elas a equipe de marketing da empresa, os operários da linha de produção ou mesmo os consumidores, ou é só uma sacadinha do redator ou do planejador?

Observação 3) Um dos manifestos mais famosos do mundo é o Manifesto Comunista, documento que, para o bem e para o mal (opinião pessoal: mais para o mal) mudou o mundo. Mudar o mundo é muita pretensão para o uma marca, mas digamos que, no papel de criativo ou planejador, você esteja criando um manifesto agora mesmo. Esse manifesto tem o poder de mudar ou inspirar alguma coisa na vida dos consumidores ou é mais uma balela?

Observação 4) Resolvi escrever esse post depois que li em um briefing a expressão "manifesto da campanha". Oras bolas, manifesto é coisa grande, coisa que tem que estar na ponta da língua do presidente da empresa, do gerente da marca, do assistente dele, do atendimento da conta e por aí vai. O manifesto lido pelo consumidor tem que encontrar um eco imediato em seu coração. Mais do que isso, manifesto é algo que deve durar anos, que deve ter nascido da vontade do criador da marca/produto ou então de um fenômeno gerado pela forma como as pessoas se relacionam com ela/ele. Manifesto é sempre da marca, nunca da campanha daquele momento.