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quinta-feira, 15 de maio de 2008

Promo Micos

Durante um ano que fiquei só como freela, tive a oportunidade de pegar alguns dos piores jobs do universo. Mas o melhor deles eu acho que foi o sensacional incentivo para separadores de pintinho.

Era uma granja, que resolveu fazer uma campanha motivacional para seus separadores de pintinho.

Os separadores de pintinho fazem isso mesmo: separam os pintinhos fêmea dos pintinhos macho. Fêmea pra cá, macho pra lá, em uma velocidade impressionante e com uma margem baixíssima de erro. Então, perguntei eu, por que eles querem fazer uma campanha de incentivo? Pra incentivar o quê? Seria uma campanha de reconhecimento?

Não, não, de in-cen-ti-vo. Eles querem incentivar os separadores de pintinho a separar os bichinhos mais rápido. Mas eles não estão cumprindo todas as metas com folga? Dá pra ser mais rápido? Resposta: "Não". Então, não entendi.

Mas saí da reunião com a missão de fazer uma campanha de incentivo pros malditos separadores dos malditos pintinhos. Que me perdoem os pintinhos, que com certeza seriam espremidos de tanta pressa que teriam os separadores, mas criei uma basic campanha tabajara premiando performance. Simplesmente não tinha outra saída.

Resposta da Atendimento da agência das galinhas: "olha, não pode premiar os melhores". Engoli o "E os piores? Pode?". "Tem que premiar todo mundo." Mas, gente! Como assim? Eles querem distribuir dinheiro, é isso? Sampling de prêmio? Resposta: "não, eles querem incentivar os separadores."

"A fazer o quê?"

Não descobri até hoje. E pior: me pagaram. Acho que tava mesmo sobrando grana.

Acredite... se quiser.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Promo Micos

Estávamos produzindo um evento proprietário de uma grande fabricante de celular. Estavam sendo esperadas cerca de 200.000 pessoas, que iriam assistir a um grande show em plena praia do Flamengo, RJ.

Fizemos uma reunião interna para decidir a promoção que seria apresentada ao Cliente, para alavancar as vendas de um certo modelo de celular, capitalizando, é claro, em cima do evento. E dá-lhe monte de idéias: ação nos PDVs para que o consumidor concorra a viagem + ver o show na área VIP; abordagem na areia + continuidade online; quiz que vai pro telão; abordagem com quiz (um dos features do celular pedia um quiz!) + levar o nêgo pra ver o show da coxia... e assim foi.

Até que o super sem-noção Diretor de Criação teve uma brilhante idéia:

A gente enterraria um celular na areia, bem no meio de onde estariam as 200.000 pessoas. No meio do show, o artista iria parar tudo, pedir silêncio, pegar um celular e discar um número. Aquele celular enterrado na areia começaria a tocar. Alguém que estivesse ali naquele ponto, portanto, desenterraria o celular para atender. (juro, é a mais pura verdade) E então, essa pessoa seria convidada pelo artista, através do celular desenterrado, a atravessar o mar de gente e subir no palco para receber seu prêmio: um celular exatamente igual ao que tinha recém-saído da areia.

E, olha... foi um trabalhão convencer o cidadão a não levar essa idéia.

Acredite... se quiser.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Deusa da Fertilidade


A idéia nasceu grande, na verdade, enorme, como era de se esperar de uma agência criativa como a nossa. Para a campanha promocional de Dia das Mães de nosso cliente, escalaríamos Roberto Carlos, que comporia e gravaria uma canção exclusiva dedicada à mãe contemplada no concurso. Como megalomania pouca é bobagem, a proposta foi aprovada sem retoques e sem se saber quanto esse delírio custaria.

Consulta aqui, orça acolá e a produção foi descendo a ladeira para chegar a um custo mais próximo do budget do cliente. O Rei está inviável? Vamos de Julio Iglesias! Iglesias também tem custos estratosféricos? Desce-se mais um degrau.
Assim, de degrau em degrau, chegamos a Fábio Jr. que, embora não estivesse no auge de sua carreira como cantor, freqüentava regularmente a mídia devido a seus rumorosos casos amorosos e ao fato de estar estrelando uma novela no SBT no papel de um taxista.

Fábio Jr. ainda nos deu um bom mote de comunicação, pois seu maior sucesso tinha sido uma dramática canção dedicada a seu pai, o que nos permitiu dizer que a música para a mãe completaria a ode à célula mater (e pater) da família. Estava pronto o tema: Promoção A Canção Que Faltava!

Emulando a sabedoria popular que diz que pau que nasce torto não tem jeito, morre torto, planejamento promocional que começa errado vai errando cada vez mais e em maior escala à medida que se tenta remediar os problemas de origem.


A canção foi encomendada ao compositor oficial do Fábio Jr., que compôs uma página do cancioneiro nacional intitulada Deusa da Fertilidade. Tentamos argumentar que embora tivesse um certo acento renascentista, comparar a mãe a uma deusa da fertilidade sublinhava demais o caráter biológico, reprodutivo da maternidade, quando a efeméride invocava os aspectos mais emocionais dessa circunstância da mulher. Foi em vão. A solução foi registrar o título da canção apenas no CD de tiragem única com o qual presenteamos a mãe ganhadora.


Fábio Jr. gravou a canção, que evocava a tal da deusa da fertilidade no refrão, e produzimos um CD como elegia à mãe vencedora do concurso.
Como parte da premiação, a entrega do CD seria no programa de Hebe Camargo, com Fábio Jr. cantando ao vivo a canção laudatória. Aí começou a sucessão de pequenas e inesperadas ocorrências que estão na fórmula das grandes tragédias.

A senhora sorteada era evangélica e a religião proibia a participação em programa de TV. Mas havia uma solução: buscarmos a anuência do pastor. Como a senhora morava no interior do estado de São Paulo, para lá se dirigiu um produtor/embaixador que, depois de muito argumentar, conseguiu liberar seu passe mediante a condição de trazer também o pastor e sua família para assistirem ao programa.
O compositor, por sua vez, fez uma exigência: também queria ir para o programa participar da entrega da música à ganhadora.

Chegado o dia e o momento da entrega do prêmio, Hebe chama Fábio Jr. e aproveita sua presença para falar da novela e de sua mais recente namorada. Ocorre que o cantor já tinha advertido a produção de Hebe de que não queria que tocassem em seus assuntos amorosos. Mas ela não cumpriu o acordo e mandou ver uma pergunta cheia de malícia sobre o tema proibido. Fábio Jr., em estado de alteração dos sentidos, tirou as fichas de perguntas da mão da apresentadora, embaralhou-as e as colocou em seu bolso, deixando Hebe desorientada e o público espantado.
Nessa confusão, a ficha com os dados da promoção e da senhora ganhadora sumiu, tendo a produção da agência, quase aos gritos, feito o papel de ponto, passando as deixas para Hebe com o som vazando para os telespectadores, já que o programa era ao vivo.

No momento da entrega do CD, Hebe chamou também o compositor, que era deficiente visual e, portanto, precisou da ajuda do assistente de palco, uma espécie de mordomo da apresentadora, que o guiou e o instalou num bar que decorava a sala cenográfica.


Fábio Jr., ainda alterado, fez a entrega do CD e pôs-se a cantar. Atendendo aos apelos das fãs, começou a mandar beijos voadores, a sorrir e abraçar as moças da platéia, enquanto o playback rolava solto com sua voz gravada denunciando a farsa da apresentação, que deveria ser ao vivo e exclusiva para a deusa da fertilidade.


Terminada a canção, Fábio Jr. abandonou o palco às pressas. Hebe já havia se retirado e o mordomo também, restando só o compositor, sem nada enxergar, tateando o ar e rumando perigosamente para as escadas do cenário enquanto tentava se orientar no ambiente que lhe era estranho. Foi salvo por um assistente de palco.
Só não perdemos a conta porque o SBT se comprometeu a levar ao ar, no programa seguinte, um videoclipe que produzimos com a senhora ganhadora, tendo por trilha a “Deusa da Fertilidade”.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Promo Micos

Bom, depois dos dois últimos posts do Marinho, dos exemplos que pus nos comments, do pedido do Adams pra que eu contasse a história dos laranjas... não deu outra: vamos começar agora uma sessão Promo Micos no nosso blog.

Nessa nova coluna, teremos jobs que possam se encaixar com perfeição na categoria "acredite... se quiser". Como a história do mudo e do tenor que ganharam a mesma promoção, cuja mecânica incluía dar um grito. Valha-me Deus!

Sim, é claro que você pode encarar os Promo Micos como uma forma de inspiração. Do tipo "jobs micos há em todo lugar, portanto não deixarei de me dedicar ao máximo a cada job que..." mas vamos e venhamos, o motivo aqui, neste caso, é só pra gente rir um da cara do outro. Faz bem, dá força e... ah, what the hell: é divertido!

E, pra começar, vou atender o pedido do Adams:

A História Dos Laranjas

Uma grande distribuidora de bebidas pediu, lá pros idos de 1995, uma campanha de incentivo com duração de um ano. Até aí... E o incentivo era para os seguintes públicos:
- Dono de loja de bebida no Paraguai;
- Promotora da loja de bebida no Paraguai;
- E... Laranjas que traziam as bebidas do Paraguai pro Brasil. Também conhecidos como muambeiros.

Sim, é isso mesmo. O whisky trazido na muamba não era falsificado: o falsificado não tem aquele gargalo-dosador. Era legítimo mesmo, só que chegava aqui muito mais barato. Funcionava assim: se o revendedor comprasse direto da Distribuidora, pagava R$ XX pela garrafa + R$ YY de impostos. Se ele contrabandeasse, o laranja pagaria o preço R$ X com só R$ Y de imposto no preço final. O resto é lucro.

Então, ao invés de combater... o que a Distribuidora poderia fazer? Ela passou a fazer as ações no ponto-de-venda de mais da metade das garrafas comercializadas no Brasil: o Paraguai.

Uma coisa ótima: a ação de incentivo deveria ser quase toda na base da distribuição de brindes. Mas não poderia ter o logo da Distribuidora ou de nenhuma marca de bebida. Isso porque, quando a Polícia parasse o ônibus cheio de muambeiro e o Jornal Nacional filmasse aquele moooonte de mercadoria apreendida espalhada ali no acostamento, não poderia ter um monte de sacolinha com o logo da marca, certo?

E quem são as promotoras que trabalham dentro da lojinha paraguaia? São promotoras DA MARCA. Dentro das lojinhas do Paraguai tinham as "miguelitas" (o apelidinho PI foi dado por nós mesmo), que tinham a função de convencer você a comprar mais da marca que ela estava representando. Tipo "ignore aquela moça ali e leve Juanito El Camiñador Tarjeta Rubra!".

E eu vou dar o quê de brinde pra esse dono de loja? Tudo o que eu quiser dar, ele compra por U$ 1,00 no Paraguai, pô!

Não foi fácil. E disse o Cliente que foi tudo ótimo. A nós, restou acreditar. "La garantia soy djô" total!

Acredite... se quiser!

UPDATE: esqueci de dizer que, para mandar seu Promo Mico, basta mandar um e-mail.