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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Perdi a fome

A Peta sempre me faz perder a fome e muitas vezes a vontade de viver pela culpa de apreciar um bom churras de final de semana A organização que luta contra os abusos contra os animais (causa nobríssima) também prega o estilo de vida vegan (preguiça). Mas o que quero explorar nesse post é que a Peta sabe chamar atenção, sempre em atividades de guerrilha, ações de puro buzz, que acabam chamando atenção da mídia e deixam a organização constantemente nas manchetes dos principais veículos de comunicação. As ações deles são tão ousadas quanto as campanhas. Indigestas, tapas na cara!
Lembra da invasão de passarela em pleno momento catwalk da uber Bundchen? Ação da Peta.


Agora eles estão usando uma tática bem conhecida de todo mundo - "Naked People on the streets" e nas campanhas! Sempre funciona.



Via paper-plane
Abs,
Filipe Alberto

domingo, 20 de junho de 2010

Sem rótulos

O universo de atuação promocional é muito vasto, e ainda maior agora que os clientes perceberam os benefícios de fazer uma ação com objetivo de chamar atenção, gerar boca a boca e, quem sabe, sair com umas notinhas na mídia espontaneamente.
No meio desse boom de novas ações promocionais, cada empresa ou agência tem uma nomenclatura para determinada atividade. A coisa para mim parece tão complicada quanto querer catalogar estilo musical.
O BTL ficou velho e guerrilha ficou genérico demais, intervenções urbanas, mídia ambiente, grassroots marketing, mídia alternativa. Enfim...O excelente Advertising is Dead, Long Live Advertising cataloga essas ações em intrusion, transformation, installation, illusion, infiltration, sensation, interaction e stunt.
Muito interessante, mas também não pode ser usado como regra, pois elas funcionam bem para os exemplos usados nos livros, mas a coisa complica em situações diferentes.
Eu tenho o livro há alguns anos e nunca havia reparado em como as atividades estavam catalogadas.
Percebi que não vale muito a pena ficar rotulando as ações, se elas são realmente boas e cumprem o papel de chamar atenção, isso é o que importa. Abaixo só exemplos dessa propaganda diferente, seja lá qual for o nome, usando somente carros.

Motorola RAZR Car AdvertisementF1 Car on a BuildingSony Grass Car - You drive a green car, you live a green life.

Denver Water Car - Clever water saving awareness campaign in Denver. Use ONLY what you NEED. - Transformation

SMART Car Vending Machine - Giant vending machines from which you can get real SMART cars.

Universal Studios King Kong Advertisement - Large footprints and a crushed car appeared on Santa Monica beach, to attract publicity for King Kong 3-D.

Nike Car Advertisement - Created by Nike for the FIFA World Cup.

Alfa Romeo Shopping Cart FOX no bondinho do Pão de Açúcar

via inewidea

Abs, Fil

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Causando em Hollywood

Eu não conheço a Ke$ha (estou muito fora do mundo pop), mas aparentemente é uma cantora americana a la Lady Gaga que gosta de ser vista bebinha, fazendo caretas sexys e usando roupas esquisitas. Fiquei sabendo dela pelo vídeo abaixo, onde a cantora participa de uma ação de guerrilha para divulgar ela mesma. Tudo no tom estou-bêbada-e-vou-fazer-besteira.
Falando de guerrilha, ações ambiente, sempre é um sonho de todos nós (malucos) das ações de guerrilha, usar grandes monumentos, ícones locais para expor nossa marca, fazer nossa ação. Por exemplo: "Por que não enfaixamos o Cristo redentor no Rio de Janeiro? Isso vai chamar uma atenção enorme!"
Pois é, fake ou não (não é essa a discussão), Ke$ha sabe do potencial desse tipo de ação e cobriu o iconográfico letreiro Hollywood e postou o vídeo no youtube.



Via Petiscos.
abraços,
Filipe

terça-feira, 24 de junho de 2008

Vale 1 boa idéia

Essa idéia vem direto de Auckland, Nova Zelândia. Para mostrar que carros podem ser facilmente riscados e divulgar seu serviço de recuperação de pintura automotiva, a Accent Panel & Paint implementou essa ação de guerrilha inspirada nas famosas "raspadinhas".




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2008

Meu tipo inesquecível

Havia chovido um dilúvio e o rio São Franscisco, naquele ponto de travessia, transformara-se numa corredeira tumultuosa. A família quase toda, oito pessoas (a nona esperava no destino), aguardava que o patriarca decidisse se deveriam embarcar numa daquelas frágeis canoas para alcançar a outra margem e, aí sim, iniciar a marcha para o esperançoso sul. Temerosa, a mãe hesitou. Melhor seria dividir o casal e a prole em duas embarcações; assim, dadas as condições de extremo perigo de navegação, se o fatal ocorresse, sobraria ainda metade da família. O pai, com energia, foi contra e determinou que atravessassem o rio todos juntos. Se o barco afundasse, a família terminaria ali ou, como ele mesmo dizia, não sobraria ninguém para contar a história, com exceção do primogênito, que partira na frente. Antes de embarcarem, ele preveniu a esposa: “Você nada muito bem. Se a canoa virar, nem tente se salvar. Não vou deixar. Aqui vai ser todos ou nenhum”.

Esse é apenas um dos muitos episódios épicos que pontuam a verdadeira saga de um grande amigo. Raimundo Quinderé era o nome dessa personagem que por certo teria lugar na seção “Meu tipo inesquecível” das antigas edições da revista Reader’s Digest.

Nordestino migrante, Quinderé fez o sul como os europeus fizeram a América, transformando toda sorte de adversidade em oportunidades não só para sobreviver como também para alcançar um patamar sustentável de dignidade para a família numerosa. Homem de pouca educação formal, tinha a sabedoria muito própria do sertanejo. Inteligente, rápido no raciocínio e atento observador, aprendia rápido e executava com esmero tudo de que necessitava para dar um dos seus tantos nós em pingo d’água com os quais trançava a vida.

Fez um pouco de muito profissionalmente, até se consolidar como borracheiro, ofício que não sei como aprendeu, mas que executava com sucesso. Tinha clientes cativos que, mesmo mudando de bairro, atravessavam a cidade para executar um conserto ou comprar um pneu recauchutado, meia-vida ou “riscado” na Torpedo (também não sei por que, mas esse era o nome da borracharia).

A seu modo, Quinderé desenvolveu ações promocionais com descontos especiais para taxistas e feirantes, que se transformaram em eficazes programas de fidelização. Instituiu um procedimento de produção com tolerância zero para defeitos nos serviços e caprichou na qualidade do atendimento - esse, sim, sem concorrentes. E aí, também a seu modo, implantou um programa de relacionamento. O alto astral da recepção na Torpedo era tamanho que havia clientes que apareciam sistematicamente por lá só para um bate-papo e um cafezinho, tomado no bar ao lado; prudentemente ali não se arriscava misturar vulcanização de câmeras com a rubiácea.

Certa vez, aproveitando o fraco movimento do entardecer de um sábado, Quinderé foi à barbearia e me deixou cuidando do caixa, já que do serviço seus dois ajudantes, nomeados secretários, davam conta. Foi quando parou uma caminhonete dirigida por um rapaz imenso na altura e na largura acompanhado de um senhor que era quem dava as ordens. Atendi-os. Queriam comprar um pneu recauchutado. Chamei um dos “secretários” e pedi que lhes mostrassem os modelos disponíveis na medida utilizada pelo veículo. Para meu espanto, cada opção de pneu pré-escolhida pelo rapaz era motivo de contestação do senhor, que entendi ser seu pai, indignado com o que ele julgava ser a baixa qualidade dos produtos apresentados.

De recusa em recusa, o homem foi ficando irado a ponto de começar a jogar com desprezo os pneus pelo chão enquanto vociferava. Nervoso e já a ponto de expulsar os inconvenientes da loja, pedi que fossem chamar o Quinderé na barbearia. Ele veio rápido e desengonçado, cabelo ainda em meio ao corte, e já entrou na borracharia com os braços estendidos chamando a dupla da família Buscapé de “meus queridos!” – tenho minhas dúvidas de que eles fossem mesmo queridos; em todo caso, o tratamento acalmou os ânimos.

Conversa aqui, explica ali, argumenta acolá, e a venda de um pneu, já perdida em minhas mãos, se transformou no negócio de mais três outros, “calçando” toda a caminhonete, como explicou Quinderé.

Junto a seu target, a Torpedo alcançou um invejável índice de awareness, era top of mind e obteve um share de mercado respeitável para seu porte. Poderia ter expandido para transformar-se numa loja de pneus como uma D Paschoal da vida, mas Quinderé, também intuitivamente, optou por atuar em nicho. Sem perfil empreendedor, teve a inteligência de ser o melhor num segmento no qual o tratamento pessoal, seu forte, era fundamental, em vez de aventurar-se num território no qual outros fatores, a maioria deles exógenos, eram dominantes. Outra lição: saber quando ir na contramão do grow or die é justamente o caminho para a sobrevivência.

Relembrando os “causos” desse amigo, pude constatar como os princípios do marketing, em essência, são extremamente simples. De certa forma, com todo o arsenal do marketing à nossa disposição, o que buscamos é encontrar a melhor forma de sistematizar esse conhecimento empírico, transformando-o em soluções para os desafios da profissão, que, em essência, em nada diferem dos enfrentados por Quinderé na administração da sua vitoriosa Torpedo.

Igor, bisneto de Quinderé, não terá a ventura de conhecê-lo. Caso venha a se interessar pela aventura do marketing, não poderá contar com a sabedoria que esse convívio lhe traria. Igor por certo herdará o gene. Tomara que, com ele, venha também o talento do bisavô.

segunda-feira, 15 de outubro de 2007

desafio hipotético

Se você tivesse recebido o briefing da Procter & Gamble, que, em março desse ano, pediu para suas agências construírem marcas sem o uso da mídia tradicional, reforçando a necessidade de novas formas de aproximação com o consumidor, o que você faria? O que bolaria? Que tipo de ações? É um desafio interessante, que já faz a lombriguinha do planner que há dentro de você começar a rodar as engrenagens cerebrais.

A agência Espalhe, cada vez mais atraindo inveja, admiração e clientes, bolou essa para Ariel: promotores com a roupa lambuzada de molho de tomate em plena Festa de San Gennaro + guardanapos nas barraquinhas salientando (e complementando) que Ariel remove até manchas secas.

E aí? O que você faria para que sua agência apresentasse uma ação tão boa quanto essa - ou melhor?

terça-feira, 2 de outubro de 2007

de planejador para planejador

A:O que você faz da vida?

B:Sou publicitário.

A:Mas trabalha em qual área? É criação? (te olhando com aquela cara de "você é meio maluco, parece ser criativo")

B:Não exatamente. Sou do planejamento.

A:E o que um planejamento faz?

B:Bem...err...hummm...é mais ou menos assim ó...


Planejadores que nunca passaram por uma situação semelhante levantem a mão. Não tenho uma webcam na frente de cada leitor planejador, mas tenho certeza que nenhuma mão foi levantada por esse target.

Felizmente, alguns porque quiseram isso e outros porque simplesmente caíram de pára-quedas, o caminho que escolhemos passa por desbravar uma das áreas mais misteriosas e indefinidas de uma agência de comunicação.

Já ouvi dizer que o planejador é o novo criativo. Pode ser. Se for verdade, no mínimo facilitará bastante a resposta no caso de diálogos semelhantes a esse do começo do post.

Agora, se planejamento em propaganda já é uma coisa relativamente nova, que está ganhando força de uns tempos para cá (inclusive por causa causa do ótimo trabalho do GP), o planejamento em outras agências de comunicação praticamente nasceu ontem.

O fato é que de uns tempos para cá agências de design, internet, marketing de guerrilha e sobretudo marketing promocional começaram a criar seus departamentos de planejamento, e portanto há gente não só trabalhando nisso, como praticamente criando essa "disciplina" do zero.

"Ah, mas planejamento não é tudo igual?", alguns vão perguntar. "É tudo igual, mas é diferente". Obviamente que planejadores de qualquer tipo de agência têm as mesmas preocupações, afinal, os consumidores são os mesmos. São os mesmos, mas uma coisa é impactá-lo em frente à TV, e outra é impactá-lo na internet ou através de uma promoção. Mesmas pessoas em momentos diferentes implicam em cuidados diferentes.

E é por isso que nós, um grupo de planejadores de marketing promocional e agências afins, resolvemos nos juntar nesse blog. Nesse espaço vamos trocar experiências e pensamentos sobre planejamento dentro desses contextos, e também planejamento em geral.

"Ah, mas não é muito específico?". Não, pois há um número cada vez maior de profissionais se dedicando a isso. Além do mais o blog está aberto a interessados em geral, e principalmente gente de propaganda. Não dizem por aí que o futuro da comunicação é a integração? Pois bem, por aqui vocês poderão aprender um pouco mais sobre outras áreas...

Então é isso. A partir de agora estaremos aqui. Leiam, acompanhem, participem!