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quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O livro e o marketing – Parte 2

Em que pese termos um mercado consumidor pequeno para livros, há uma indústria livreira. E isso basta para ao menos discutirmos os caminhos para um marketing do setor.

Grosso modo, o mercado do livro pode ser dividido entre os livros didáticos e os não-didáticos. Por didático reúno os que são selecionados por professores e autoridades da educação. Nesse segmento, a jóia da coroa são as compras feitas pelo governo em seus programas educacionais: um mercado milionário (vendas superiores a um milhão de exemplares por título), disputadíssimo por grandes grupos editores, que não precisa (ou não sente necessidade) de marketing, quando muito, um lobby competente basta.


Os não-didáticos são aqueles que se espremem nas prateleiras das livrarias tentando chamar a atenção dos minguados leitores. Aí o marketing deveria ser vital.


Evidentemente que autores já consagrados em seus gêneros ou que, por circunstâncias extraliteratura, ganharam a mídia não precisam mais do que um bom trabalho de assessoria de imprensa, anúncios nos cadernos de cultura e compra de espaços nos pontos nobres das livrarias. Por essa razão, os passes dos best sellers são disputadíssimos. Eles são o próprio marketing das editoras.


Por outro lado, o livro, a mais bem-sucedida mídia criada até hoje, responsável pela difusão de todo o conhecimento acumulado pela humanidade, um dos pilares das modernas civilizações, inclusive as teocráticas, é algo ainda visto como sagrado e, portanto, passa a ser uma heresia tratá-lo como mercadoria. Recentemente ganhou ares de escândalo, por parte do jornalismo cultural, o fato das livrarias venderem os espaços nas vitrines e à entrada da lojas.


Não se imaginam ações promocionais como, por exemplo, as feitas para lançar séries de TV ou filmes, que são também produtos de conteúdo. Talvez haja aí o receio de que ao promover escancaradamente um livro ele se conspurque; do objeto livro sempre se espera mensagens edificantes, poucos se dão conta de que o papel, inclusive o impresso, aceita tudo.

Esse é um setor de custos altos (40% do preço de um livro é do distribuidor!) e margens apertadas, mas isso não é absolutamente impedimento para buscar soluções dentro do marketing promocional. Tanto é que pequenas iniciativas trazem resultados surpreendentes. A editora L&PM diversificou a distribuição colocando displays-dispensers com livros de bolso em farmácias, supermercados e outras terras não-santas para a “cultura” e a iniciativa está sendo bem-sucedida. Quanto a isso, uma curiosidade significativa: o criador do livro de bolso não conseguiu um único editor que apostasse em sua idéia, pois a solução de barateamento de produção é coisa de mercadoria. Quem viabilizou as primeiras edições foi uma rede de lojas de US$ 1,99, que tem por experiência que por esse preço vende-se tudo, literalmente.


Outra ação interessante vem sendo desenvolvida pela Ediouro, publicando amostras de seus lançamentos que reproduzem o livro em formato reduzido, com um extrato da obra em 18 páginas. É uma espécie de sampling de livro. O único senão é que esses aperitivos literários são servidos nas livrarias apenas, quando poderiam visitar outras praças: salas de espera, dispensers em terminais de transporte, acompanhar a conta em restaurantes, etc.

Temos à disposição a internet, com todo um universo a ser explorado, e a capacidade criativa dos planejadores armados de ferramentas de guerrilha, ambush marketing, branding content e tantas outras que podem dar um vigor nunca visto a esse mercado.


O objetivo, como disse no início, não seria vender o livro, desenvolver novos leitores, mas obras como se fossem marcas. Como bônus, por certo, ampliaríamos o mercado também, aumentando o índice de leitura entre os que lêem e de leitores entre os que não lêem.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

O livro e o marketing – Parte 1


Uma coisa é o aumento de leitores de livros, outra é como fazer marketing de livros para um mercado pequeno, mas que existe.

O primeiro aspecto dessa questão foi muito bem explicado numa série de cinco posts intitulada “Dia dos Livros”, escrita por Roberta Carusi, do blog Planejamento Criativo.
O baixo número de leitores e, entre estes, de leitura, sustenta-se no tripé analfabetismo funcional (68% da população), falta de hábito de leitura (1,3 livro/ano, descontando-se os didáticos) e dificuldade de acesso (distribuição e preço/custo).

Uma coisa alimenta a outra e a resolução de um dos pontos isoladamente não paralisaria o círculo vicioso. Exemplo: se reduzíssemos o analfabetismo funcional de maneira significativa, isso não geraria novos leitores automaticamente, pois ainda restariam as pernas “hábito” e “acesso”. Mas se, indo mais a fundo, junto do analfabetismo funcional solucionássemos a acessibilidade ao livro, ainda assim teríamos o entrave da falta de hábito (leia-se necessidade) de leitura.

A predominância da esfera da imagem em nossa forma de obter informação e entretenimento pegou-nos no momento em que nos urbanizávamos, quando ainda não tínhamos formado uma cultura literária de massa; a herança rural era a da informação como forma de poder e divisão de classes. Tanto que, no passado, uma das primeiras providências dos anarquistas, sindicalistas e socialistas (todos movimentos essencialmente urbanos) era lançar um jornal.

Assim, não vejo como formarmos um contingente de leitores daqui para a frente, uma vez que a necessidade de informação será sanada por outras mídias. Há quem sustente, e sou inclinado a concordar, que somente as palavras podem comunicar idéias e formular pensamentos. Por esse raciocínio às imagens cabem comunicar conceitos fechados, emocionais e até subjetivos, mas não reflexivos.

Não tenho dados, mas desconfio que o número de leitores (ou a média de leitura) tende a diminuir ainda mais quando as novas gerações (alfabetizadas) migrarem ainda em maior número da logoesfera para a videoesfera, na qual o livro é uma mídia anacrônica.

Considerados esses pontos, fica a questão: por que pensar em marketing para um mercado em extinção? Respostas no próximo post: O livro e o marketing – Parte 2.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Bienal do Livro. Muito esforço para tão pouco


Estive na Bienal do Livro pela primeira vez e de lá trago impressões as mais contraditórias. A primeira delas é o número impressionante de visitantes, ainda mais considerando que o ingresso era pago (R$ 10,00). Se algum instituto de pesquisa fosse medir o interesse do brasileiro pela leitura a partir dos estacionamentos (todos lotados), a sucuri de ônibus fretados tomando as duas faces do “palácio” de exposições do Anhembi e, óbvio, o counter das catracas, o Brasil seria, de longe, o país em que mais se lê.

A Bienal em si é um mercado persa: uma sucessão sem fim de estandes-livrarias com recursos muito pobres de arquitetura promocional e de comunicação. Na cacofonia visual de milhões de livros que se transformavam em pixels na imensidão do espaço da exposição, push-girls (nada girl, mas muito push) caçavam visitantes nos corredores de forma constrangedora. Fiquei me perguntando: alguém compra um livro pela abordagem insistente de um vendedor?


É verdade que grande parte dos visitantes portava uma sacolinha com ao menos um livro.
Como venda direta, a Bienal do Livro não aparenta ser um grande negócio, porém acho que o business está mais na porção trade faire do evento, que deve ser significativa, mas nada que represente muita novidade para as grandes editoras.

O aspecto feira predomina sobre qualquer pretensão cultural ou educativa e nisso não vai nenhuma crítica, apenas uma observação. Num mercado cuja mercadoria é vista como sagrada, ir à Bienal é como ir a Meca ou a uma romaria ao Vaticano, em que o sagrado e o profano acabam convivendo.

O detalhe interessante a se observar foi a espantosa popularidade de Ziraldo. Havia uma fila para autógrafos com o autor que dava a volta no estande e se estendia pelos corredores formando uma cerca humana que impedia o acesso a outros estandes, o que obrigou funcionários da editora e da administração do evento a atuarem como “marronzinhos”, orientando um rush de gente. O curioso é que Ziraldo fala de uma infância romantizada, a dele quando criança em Cataguases, MG, nos anos 50, quando havia “galos, noites e quintais”. Ou seja, nada com o que se identifique uma criança de hoje. E não eram os pais que tietavam Ziraldo, mas a criançada, que não se contentava com o autógrafo e queria fotos também. Isso merece uma reflexão.


De uma forma geral, fiquei com a impressão de que a Bienal do Livro é um grande esforço muito mal aproveitado pelo marketing promocional. O mais difícil eles já fazem, reunir tanta gente em torno de um produto nada popular e ainda por cima pagando por isso. O passo seguinte penso que deveria ser surpreender essas pessoas com uma experiência não com o livro, como nas livrarias, mas com todas as suas possibilidades de informação, fantasia, sonho e viagem virtual sem fronteiras.

Por incrível que pareça, nessas ocasiões, as editoras se comportam como se vendessem o objeto livro: um volume de papel encadernado com algo escrito dentro e uma grife dando aval na capa.
Do jeito que está a bienal é dos livreiros e não dos livros.

Caetano Veloso, ali nos anos de 1960, passou por uma banca de revistas da Praça da República, em São Paulo, e espantou-se com a quantidade de títulos oferecida. Poetou: “O sol na banca de revista me enche de alegria e preguiça. Quem lê tanta notícia?”.

sábado, 31 de maio de 2008

O Encontro de 2 Mundos

Mais um livro que entra para o Pequeno Guia de Livros do Promo Planners (e que você acessa aí na barra lateral): "Internet: O Encontro de Dois Mundos - Crônicas Provocantes Sobre a Nova Internet".

São 56 crônicas, de 44 autores, todos profissionais brasileiros ligados diretamente a dois mundos: Comunicação e Tecnologia.

Dois colaboradores do Promo Planners estão entre os autores:
o Fabiano Coura assina "As Marcas Mais Valiosas do Mundo te Surpreendem?" e o Neto, "A Informação Quer Ser Sua, Mas Você Precisa Pegar".

Quarta-feira agora, dia 04, a partir das 19h, tem lançamento na Fnac Paulista com a presença dos autores e palestra do Gil Giardelli, autor da crônica "Web o Quê? Quando a Cybercultura Se Transformou em Cyberespiritual".

Você pode comprar aqui e conhecer todos os autores aqui, no site do livro.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Pequeno Guia de Livros Promoplânnicos

Existe livro de Planejamento em Promoção? Que livro você acha legal eu ler? Como falei aqui, responder a isso é difícil. Não dá pra indicar um só.

Então, o que eu fiz foi perguntar por aí, pedir ajuda dos leitores promo planners, enviar e-mails pra alguns fodões da nossa área e fuçar em livrarias. Espero que o resultado ajude você, como ajudou a mim, a compor uma pequena parte de suas referências.

Só que, olha... leia de tudo. De Contigo a Wired, de Veja a New Yorker, de Cebolinha a Archive. Leia livros bons, de qualquer estilo, de autores que saibam o que estão fazendo, da área e fora da área. Vá ao cinema, ao teatro, leia jornais, blogs, sites, veja TV, DVD, converse com as pessoas, observe, fale, ouça, visite, pergunte, questione, fuce no youtube, go crazy! E, sempre que tiver um tempinho, vá lendo estes livros que foram importante para várias pessoas com que conversei nesses dias:

No post anterior, você viu esses aqui:



A Arte do Planejamento. Verdades, Mentiras e Propaganda, de Jon Steel, que teve o complemento do César, nos comments.

E o Perfect Pitch - The Art of Seling Ideas and Winning New Business, também de Jon Steel.


O Fabiano Coura, da NeoGama e do post aí de baixo, também disse que Perfect Pitch está na lista dos must-read dele. E ainda mandou mais 3, que ele acha que foram importantes pra ele:


Purple Cow, do Seth Godin


Blue Ocean Strategy: How to Create Uncontested Market Space and Make Competition Irrelevant, de W. Chan Kim e Renée Mauborgne


E também Beyond Disruption: Changing the Rules in the Marketplace, de Jean-Marie Dru

O Gustavo, que escreve aqui no PP, recomenda fortemente o livro Como Fazer Sua Propaganda Fazer Dinheiro, de John Caples.

"Ele é um ótimo livro para dar um gostinho do que é publicidade "pé-no-chão". Hoje em dia ficamos divagando sobre construção de marca, comunicação 360º, experiências multisensoriais, blá, blá, blá... Legal. Mas acabamos nos esquecendo do essencial, das origens da comunicação, da simplicidade."


Pra mim, livro do Júlio Ribeiro é como do Luís Fernando Veríssimo. Entrou no campo visual, eu já entrei na fila pra pagar, sacumé? Lá vão eles, todos valem a pena:



Entenda propaganda - 101 perguntas e respostas







Fazer Acontecer





Tudo o que Você Sempre Queria Saber Sobre Propaganda e Ninguém Teve Paciência Para Explicar, com vários autores.

Esse livro é veeeelho, ganhei de presente quando passei no vestibular, em 1812, se não me engano. Mas tenho até hoje, já emprestei, já recomendei, já vi MUITA gente lendo e andei perguntando para pessoas com idade começada com 2, como nossa leitora Andressa, e me garantiram que ele ainda é legal. No mínimo, vale a visita para um momento retrô. A Magy Imoberdorf já foi, já voltou e os mais novos nem sabem quem ela é. O livro é da época que ela estava no auge. Eu disse. É velho. Mas vale a pena. Peça emprestado pra ler só a parte de Planejamento (Júlio Ribeiro), se você estiver com preguiça.

Quer mais?


Hitting the Sweet Spot: How Consumer Insights Can Inspire Better Marketing and Advertising, de Lisa Fortini-Campbell




The Long Tail: Why the Future of Business is Selling Less of More, do Chris Anderson


Peguei uma dica que o Neto, da Bullet, passou uma vez, que é o Made to Stick: Why Some Ideas Survive and Others Die, dos irmãos Chip e Dan Heath. Ele é uma continuação não-oficial de outro livro muito recomendado por aí, The Tipping Point, do Malcolm Gladwell. "O livro é um verdadeiro manual técnico e prático de criação, ideal para quem ainda acha que criar, em comunicação é uma “arte” ou que demanda 'inspiração'", disse o Neto aqui. "É leitura obrigatória para velhos e novos profissionais de comunicação, prova disso é que vem indicado por uma dezena de gurus, entre eles (...) Chris Anderson e Guy Kawasaky".


Advertising Campaign Strategy, de Donald Parente. Achei que esse livro era interessante, mas não tinha nenhuma referência quando ta-nãaaa, chegou o comentário da [dea]: "embora o planejamento seja focado em campanhas de propaganda, fornece uma boa visão no negócio como um todo além de pontos de vista realistas e provocativos, como o do último post do Marinho (aumentar as vendas depende dos 4Ps, por isso não pode ser definido como meta para uma campanha de comunicação)".



Brand Gap, de Marty Neumeier, segundo o César, é bárbaro!



A [dea] está lendo Lovemarks: The Future Beyond Brands, do Kevin Roberts, que leva você a "ver o Planejamento sob um ponto de vista profundamente essencial, o amor". Leia na versão original, diz ela. A traduzida é cheia de erros e não há amor que resista.


O próximo livro da lista dela e da minha (depois que terminar os dois que prometi ler no post anterior...) é Things I Have Learned in my Life So Far, do Stefan Sagmeister. Quem viu a palestra dele no TED deve ter colocado o livro na listinha também (postei aqui).

Olha... e tem muito mais. Se nosso trabalho é saber o máximo de coisas e estar sempre antenado, os livros da área não dão conta. De novo: leia de tudo. Mas... espero que essa listinha ajude na próxima visita à livraria, pra você ficar menos perdido.

UPDATE: chequem, nos comments, mais dicas e opiniões. Valeu, gente!

quarta-feira, 19 de março de 2008

Queeem vai quereeeeeeer, queeem vai quereeeeeeer... a-haaaaai, i-hiiiiii...

Bastante gente me pergunta - e não só quem escreve pra gente aqui no Promo Planners - se conheço um livro bom sobre Planejamento de Promoção.

Não tem um que eu conheça. Mas têm váaaarios que são legais para ler. Cada um te mostra uma coisa, um ângulo... não tem "UM SÓ" nada que seja bom.

Qual é o melhor livro que você já leu?
Qual é o melhor filme a que você já assistiu?
Qual é a melhor música que você já ouviu?

Sei lá, eu, heim... Posso citar oS melhoreS, plural.

Portanto, proponho uma coisa a todos os promo planners leitores e postadores: me mandem títulos de livros realmente legais que você já leu e que te ajudaram de alguma maneira na sua profissão.

Vou fazer um apanhado geral das sugestões e postar aqui, com as devidas recomendações e comentários.

Prazo: até o final do mês (segunda-feira, dia 31.03).

Podem mandar pro nosso e-mail, pro meu e-mail ou colocar aqui nos comments.

Pra começar, um momento Silvio Santos. Quem já assistiu a pelo menos meia hora do programa dele, em qualquer época, já o ouviu dizer "eu não vi esse filme, mas ele é muito bom".

Pois então. Eu não li esse livro, mas ele é muito bom: "A Arte do Planejamento. Verdades, Mentiras e Propaganda", de Jon Steel, que vem a ser, pra quem não conhece, um dos principais planners da Inglaterra. E foi quem disse que o planner é a arma secreta das agências ;)

É dele também "The Perfect Pitch", que o Julio Ribeiro recomendou a leitura para os executivos da Talent.

Agora é com vocês, Lombardis, aaaaa-haaaaaaaiii, iiiiii-hiiiiiiiiii... manda aí, mandaaaaíiiii o nome dos livros que você achou importante ter lidooooooo...


UPDATE: acabo de comprar esses dois livros. Quando eu acabar, posto aqui minha opinião.
:)