segunda-feira, 21 de julho de 2008

Flat people

O soldado sentado à cabeceira da mesa na foto ao lado não existe. Ele é um retrato em tamanho natural montado em cartão e recortado. Esse display de gente está vendendo como pão quente nos Estados Unidos e já começa a ter freguesia em outros países, Brasil inclusive.

Trata-se dos “Flat Daddies” e “Flat Mommies”, reproduções de pessoas que ocupam o lugar de alguém que, por algum motivo, tem que se ausentar um longo período do lar: soldados na frente de batalha (a maioria) e profissionais trabalhando longe de casa são alguns exemplos.


Esses duplos são levados a habitar a rotina das famílias inclusive em festas e eventos fora de casa. A filha vai dançar na festinha da escola e o pai está ausente. Sem problemas: leva-se a versão flat para não traumatizar a criança. E assim é feito em todas as ocasiões em que a ausência paterna ou materna precisa ser preenchida.


Elaine Dumler, escritora americana responsável pela popularização dessa idéia, afirma que, “do ponto de vista psicológico, é sabido que crianças precisam de estímulo visual para aprender. O Flat Daddy, evidentemente, não substitui o pai. Mas funciona como uma lembrança no período de ausência. Quando ele volta, o pai-de-papel vai para o armário”.


Nada garante que essa idéia de gente virtualmente real vai parar na função de suprir a carência de pai ou mãe. Logo teremos as “Flat Girl”, os “Flat Man” e sabe-se lá mais o que a imaginação e a perversão humana poderão inventar. Sem contar os upgrades que advirão: com voz, com webcam acoplado no lugar dos olhos, modelo interativo e é bom parar por aqui que a criatividade dos leitores desse blog encontrará outras tantas possibilidades de turbinar esses quase bonecos.


Folclore à parte, fica a observação do quanto a mente humana consegue projetar em ícones, em representações, uma realidade que não existe se não apenas em desejo. E isso, no fundo, é o que buscamos em todas as ações de marketing promocional que desenhamos: dar para as marcas que promovemos a capacidade de refletir o universo de desejos de seu mercado. Mal comparando, construir “Flat Dreams”.


Nota – Se você se interessou pelos “Flat Daddies”, leia matéria na Folha de São Paulo de domingo, dia 2 de julho de 2008 (página A19) e/ou acesse o site http://www.flatdaddies.com.

2 comentários:

Robi Carusi disse...

Avimaria, já pensou se esquecem o papai no quintal e começa a chover? Não vai ter dias na semana o suficiente pro tanto de terapia que essas crianças vão precisar! ahahahahahahahahahahahahahahaha

Bruno Scartozzoni disse...

Será que já inventaram o flat boss, para quando o chefe tem que dar uma saidinha e quer continuar motivando a equipe?