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sexta-feira, 12 de novembro de 2010

A Primeira Vez da Coca-Cola

Em 1887, o bookkeeper, algo como o contador, de John Pemberton, inventor da Coca-Cola distribuiu alguns cupons oferecendo “doses” grátis do produto.

Pemberton achou a idéia muito extravagante.

Em 1888, quando a empresa foi comprada pela ASA Griggs Cander, a idéia foi retomada e a empresa enviou por correio, milhares de cupons.

Parece que deu certo. O primeiro sampling, a primeira mala-direta e para o mercado americano o primeiro, dos hoje idolatrados, cupons.

A matéria está na Wired deste mês.

terça-feira, 5 de agosto de 2008

Novidade saindo do chuveiro

Você já recebeu algum sampling de shampoo? Eu já, apesar de não me lembrar de qual marca. Mas lembro-me que o produto veio em uma miniatura da embalagem original, algo que deve ter sido dispendioso por interferir na linha de produção.

Não existiria um jeit
o mais simples, prático e econômico de realizar uma ação desse tipo?

Hoje em dia já existe. Inventaram o shampoo em papel. Como você pode ver na imagem abaixo, são pequenos retângulos de papel embebedados em shampoo. Você só precisa esfregar uma unidade na cabeça e pronto!



Obviamente esse produto não foi inventado para facilitar o trabalho de profissionais de marketing promocional. Seu público primário são as pessoas que vão viajar, e com isso correm o risco de ter sua mala inundada com o líquido pastoso do shampoo ou então simplesmente esquecerem uma embalagem cheia do produto no local onde ficaram hospedados. Afinal, quem nunca passou por isso?

domingo, 18 de maio de 2008

Em abordagem, timing é tudo!

É impressionante o número de ações que ignoram o óbvio: se você vai fazer uma abordagem de, por exemplo, um novo aparelho celular. Você precisa fazer demo, os consumidores precisam mexer, experimentar, ver como é fácil etc. Agora, com toda a sinceridade: aonde você acha pessoas com tempo e boa vontade para participar da sua ação de modo a gerar resultado? Sim, porque não adianta abordar 100 mil pessoas em uma tarde se nenhuma delas prestou atenção.

Então, onde você acha gente com receptividade à sua ação, se hoje andamos todos correndo? Você vai pro aeroporto, pras filas de espera dos restaurantes badalados, pra fila do cinema, por exemplo. Depende qual é seu público. As pessoas ali estão dando sopa e, quer saber?, tem muita gente que vai atrás da promotora. Tudo pra abrandar o tempo de tédio da espera.

Um bom exemplo é essa ação do Lastminute.com em Londres, um site de venda de ingressos, como o Ticketmaster aqui. Eles seguiram uma das formas mais bacanas de comunicação (pelo menos na minha opinião, que adoro uma performance/intervenção bem feita), seguindo as "missões" malucas do ImprovEverywhere (só pra citar o exemplo mais famoso), que têm pipocado por aí com um enorme buzz, e vincularam sua marca a isso.

Ou seja, os caras pegaram todo mundo de surpresa (impacto) no aeroporto (receptividade), fizeram uma performance que atraiu todas as atenções (abordagem), registraram tudo para jogar na internet (buzz), divulgaram o desconto no serviço e amarraram assinando com a frase "Qual foi a última vez que você foi ao teatro?". Ah, pelamordedeus, maravilhoso!

Veja o ImprovEverywhere em ação na Starbucks, em que todo mundo sempre chega com seu laptop debaixo do braço:



Ah, vou pôr essa também, é muito bom: a das pessoas congeladas na Grand Central Station



E a ação do Lastminute.com:



Também sempre vou ao Ibirapuera, que é aqui do lado de casa. Sempre, sempre, sempre, nos finais de semana, estão fazendo sampling no portão. Até aí, sem problema, é um grande ponto de convergência. Mas as promotoras entregam as amostras para quem entra e para quem sai. Veja bem: se você está chegando ao parque, você vai correr, andar, passear, andar de bicicleta, correr atrás dos seus filhos, correr na frente dos pitbulls soltos, tudo o que você NÃO precisa é, por exemplo, um mini vidro de azeite pra carregar. Já tive o requinte de parar no primeiro latão de lixo depois do portão e tinha bastante amostra jogada lá. Potencial de eficiência de 50% então, já de saída.

A receptividade de quem está chegando é zero, de quem está saindo, por outro lado, não. Está indo, normalmente, de volta pra casa. E, hoje, enfim, tinha uma ação em que as promotoras estavam dando a amostra pra quem saía. Só pra quem saía. É claro que, se alguém que estivesse entrando pedisse, elas iriam dar. Mas alguém pediu? Não, só esticaram o pescoço pra ver do que se tratava, quando muito.

Era uma amostra MUITOOOO simpática do novo Andorinha Citrus. Tirei uma foto (ficou tosca, desculpem, tirei com o celular):


Dentro de um saquinho daqueles de limão da feira, um folheto em forma de limão, e a argumentação do texto era toda em cima da refrescância do limão e da saudabilidade do azeite. Quem souber de que agência é, por favor, ponha aí nos comments.

Quantas vezes já não me ofereceram amostra de absorvente e sabonete na porta do teatro. Dependendo do tamanho da bolsa, eu até pego. Mas... receptividade zero a um mini tubo de shampoo na entrada da balada, por exemplo.

Receptividade é a palavra-chave da sua próxima ação de abordagem.

Vi a ação do Lastminute.com no Updaters e no Brainstorm #9.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

De brand a brain experience

Quando menino, assim que chegava da escola, livrava-me da armadura do uniforme (calça curta com pregas, meias “3/4”, sapato de couro e camisa branca abotoada até o colarinho), vestia apenas um arremedo de shorts e chispava para o playground que, na verdade, era “playstreet”, pois abrangia a área toda da rua em que eu morava.

Antes de ganhar o portão de casa, porém, ficava algum tempo na soleira da porta deliciando-me com a sensação refrescante do cimento frio e úmido em contato com meus pés assados no forno do sapato nas tantas horas passadas no colégio. Nunca esqueci desses momentos. Tempos mais tarde, percebi que aquele frescor era a anunciação da liberdade, o momento de poder viver eu mesmo e não aquele personagem que cedo e convincentemente passei a representar.

Ainda hoje, nas raríssimas vezes em que toco o solo cimentado com os pés nus, a sensação se repete como uma longínqua lembrança emocional que se manifesta fisicamente. É um caso de alta intensidade daquilo que chamamos de “brand experience”, com uma emoção no lugar do “brand”. Penso que isso é o que devemos perseguir nas ações promocionais nas quais buscamos associar a marca e seu conceito a uma experiência emocional, principalmente nos casos em que o diferencial com a concorrência é mínimo ou imperceptível e quando o conceito não é “tangibilizável” pela experimentação (sampling) do produto.

Um dos objetivos recorrentes no planejamento de campanhas de propaganda sempre foi o de buscar awareness para uma marca. Devido ao caráter eminentemente discursivo da propaganda, mesmo nas peças com forte approach emocional e extremamente envolventes, mantém-se uma relação narrador/espectador (ou leitor). Ou seja, mesmo fazendo sorrir, pensar, chorar (às vezes) ou surpreender, a propaganda segue os cânones da dramaturgia aristotélica, que busca a empatia e conduz à catarse através do enfeixamento de elementos que permitam ao receptor da mensagem visualizar e experimentar a sensação que se deseja provocar. É nesse ponto que, para se conquistar “awareness”, no sentido de conhecimento a partir da “consciência” de algo, é preciso que a ação de comunicação vá além de dar ciência emocional da existência de uma marca e seu conceito, surgindo aí a oportunidade de se desenhar ações para um programa de brand experience.

É evidente que boas campanhas de propaganda, mais do que levar apenas conhecimento, contribuem para que se construa também uma consciência da marca anunciada. Mas ganha-se muito mais eficácia se a “tool box” desenhada pelo planejamento puder contar com uma ou mais ferramentas de experiências não cognitivas, que façam as pessoas tocarem a laje com os pés descalços, antes de correrem para o abraço da vida. Ferramentas que estabeleçam uma comunicação não discursiva e não objetiva que se conectem diretamente à “porta USB” do banco de dados emocionais do cérebro.

Reconheço que a proposta traz toda sorte de dificuldades, sendo a maior delas seu caráter não imediatista num meio, como o marketing promocional, que vive de resultados de curtíssimo prazo.

Infelizmente, temos visto poucas iniciativas nesse sentido (alô, promo planners, corrijam-me se eu estiver errado), a maioria tendo por estratégia o uso de eventos proprietários.

Seguindo a linha provocativa de lançar desafios, inaugurada pela promo planner Roberta, vai aqui também o meu repto: como você planejaria uma ação de brand experience para um produto ou serviço de sua escolha que não estivesse travestida de patrocínio de um evento?