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quinta-feira, 14 de maio de 2009

Não Tema



Mala direta sensacional da Saatchi & Saatchi da Eslovênia.
Uma daquelas luzinhas noturnas com a mensagem: Não Tenha Medo.
No blister que acompanha o brinde: Os tempos de escuridão vão passar.
Ainda tem mais no site. Mas em esloveno fica bem difícil entender.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

O óleo elétrico



Há muito tempo, quando eu ainda circulava pelo centro velho de São Paulo, algumas vezes parei para admirar a performance de um camelô que vendia frascos com um óleo que ele dizia ser extraído de peixes-elétricos.

O camelô carregava uma mala de viagem da qual, além do tal unguento, ele extraia cobras que se espalhavam à sua volta e se enroscavam em seu pescoço, atraindo uma multidão, que, prudentemente, se organizava num círculo postado a uma distância segura das víboras.


O tal do óleo elétrico, arengava o vendedor, tinha poderes que o igualavam a uma panaceia. Curava reumatismo, asma, bronquite, dores musculares, espinhela caída, problemas de coluna, artrite e mais um sem-número de males grandes e pequenos que afligem a humanidade.


Há momentos, como esse de crise, incertezas e ansiedade no mundo dos negócios que vejo o comportamento das agências como o do camelô do óleo elétrico. Vendem-se, com artifícios viperinos, remédios para os males do mercado, doenças do sistema, mau-olhado da concorrência e querelas afins.


O marketing promocional pode somar esforços na luta para manter os negócios à tona, mesmo fazendo como o velho marinheiro de Paulinho da Viola, que durante o nevoeiro, leva o barco devagar.

O que não podemos é insinuar que as ferramentas que temos possam ser usadas no esquema “plugue-e-use”.
Marketing de incentivo para fazer sell-in combinado com promoção e vendas, para fazer o sell-out, assim, sem mais nem menos, nesse momento, é coisa de óleo de peixe-elétrico.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

Longe daqui, aqui mesmo



O desprezo de Mikael pelos jornalistas econômicos se devia a algo tão elementar, a seus olhos, como a moral. Para ele era uma equação simples. Um diretor de banco que perde centenas de milhões em especulações tresloucadas não deveria permanecer no cargo. Um empresário que monta firmas fictícias para seus negócios pessoais devia ser preso. Um proprietário de imóveis que obriga jovens a pagar, sem nota, o aluguel de um quarto com banheiro no quintal devia ser pendurado pelos pés no pelourinho.

Mikael Blomkvist acreditava que a missão do jornalista econômico era investigar e desmascarar os tubarões financeiros capazes de provocar crises de juros e de especular com o dinheiro do pequeno poupador. Acreditava que sua verdadeira missão jornalística era investigar os donos de empresa com o mesmo zelo implacável que os jornalistas políticos vigiam o menor passo em falso dos ministros e parlamentares. Jamais ocorreria a um jornalista político transformar em ícone um chefe de partido, e Mikael tinha dificuldade em entender por que tantos jornalistas econômicos, dos mais importantes veículos do pais, estavam prontos a elevar medíocres à categoria de vedetes do showbiz.

O texto acima reproduz um trecho do romance “Os homens que não amavam as mulheres”, de Stieg Larsson (ed. Cia. da Letras). A obra, parte da trilogia Millenium, é de 2004 e seu cenário é a Suécia, nação a cujo grau de civilização aspiramos chegar um dia.

A história é ficcional mas foi escrita por um combativo jornalista econômico, que entendia em profundidade do que estava falando, e o panorama em que ela se desenvolve é muito real. Até parece a reconstituição histórica dos bastidores que levaram o mundo à atual crise. Em alguns aspectos, parece que estamos tratando do Brasil o que comprova que, pelo menos em termos de falcatruas, poderíamos engordar o G7. Longe daqui, aqui mesmo. Fica a observação para uma reflexão de fim de semana...

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Crise, que crise?




Provavelmente esta é a última vez que volto (seria mais adequado dizer insisto) ao tema da crise tentando vê-la pelo viés do marketing promocional. É simplesmente impossível para mim (e parece-me que para os analistas também) concluir seja lá o que for do comportamento dos mercados.

Enquanto a imprensa fala em medidas de restrição ao crédito, como conseqüência do abalo sísmico nas finanças internacionais, os veículos de comunicação são inundados por propaganda do setor automobilístico oferecendo todo tipo de facilidade de crédito. Todas as marcas, sem exceção, têm ofertas generosas para o consumidor pôr as mãos num carro zero: juros de 0,99%, juros zero, entrada para fevereiro, etc.


As lojas de varejo não ficaram atrás e o mercado imobiliário idem. Este, por sua vez, declarou-se com excelente liquidez e com um bom estoque de imóveis e terrenos para agüentar por bom tempo o rigor de um inverno no mercado.

Por via das dúvidas, já há empresários de olho na bolsa da viúva, pleiteando dinheiro subsidiado do governo para suportar o impacto da tsunami, que, por enquanto, como previu nosso presidente, não tem passado de uma marolinha.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

A crise bem-vinda


Duas semanas, ou um pouco mais, depois de o apocalipse na economia mundial ser anunciado, e a turma do “deixa-disso” ter entrado em campo, as notícias dos efeitos da crise em nosso meio começam a surgir.

Uma baciada de profissionais foi demitida em grandes agências e a conta foi espetada no imbróglio financeiro que começou nos EUA. Não faz sentido. Por mais conectados e interdependentes que estejam os mercados, decorreu muito pouco tempo para que medidas extremas tivessem que ser adotadas.


Paira no ar o acre aroma de oportunismo com o qual as empresas promovem reformas conjunturais justificando as atitudes dentro de um panorama estrutural.


Os prejuízos realizados por grandes players não ocorreram sobre a liquidez dessas empresas, embora, mais à frente, devam se refletir sobre elas. Aí sim, o bicho vai pegar, caso não haja medidas compensatórias como as que estão dando uma sobrevida a vários bancos.

Restrições a créditos, revisão de planos de investimento e mesmo recessão em alguns setores de atividade justificam-se, mas não para aqui e agora. O próprio mercado imobiliário, onde tudo aparentemente começou, no Brasil ainda tem um considerável estoque de imóveis prontos e em fase de conclusão que precisa ser desovado e isso não deixa espaço para cortes profundos em linhas de financiamento.

Muitas águas turbulentas ainda vão rolar sob a nossa ponte e, por conta delas, a falta de visão estratégica, que faz as agências tocarem sua vida na base do carpe diem, terá uma desculpa convincente.